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Passageiros de SP enfrentam pontos e ônibus lotados com paralisação

Passageiros de SP enfrentam pontos e ônibus lotados com paralisação

Atualizado: Terça-feira, 26 Outubro de 2010 as 8:49

Moradores da Zona Sul de São Paulo enfrentavam pontos e ônibus lotados na manhã desta terça-feira (26), além de espera que chegava a duas horas por um coletivo devido a uma paralisação de funcionários de duas empresas. Os motoristas e cobradores pararam as atividades após o assassinado do sindicalista Sérgio Augusto Ramos, ocorrido na madrugada desta segunda-feira (25).   O ponto na altura do número 1.000 da Estrada do M’Boi Mirim estava lotado de pessoas nesta manhã que se alternavam entre os dois lados da via – que opera com as faixas exclusivas de ônibus apenas no sentido Centro durante a manh㠖 para tentar entrar em um coletivo. Os poucos que passavam – colocados nas ruas pela São Paulo Transportes (SPTrans) por meio da Operação Paese – já estavam lotados, dificultando o embarque. O trânsito na via também era bastante complicado nesta manhã, atrasando ainda mais o trajeto dos passageiros.

Com um semblante de cansaço, a auxiliar de serviços gerais Jucilene de Souza, de 40 anos, chegou às 6h20 ao ponto e às 8h ainda não havia conseguido embarcar – normalmente, a espera dura no máximo 20 minutos. Para chegar ao local ela ainda teve que caminhar 45 minutos desde sua casa, trajeto feito usualmente em outro coletivo. “Tinha que chegar às 8h na Estação da Luz. Já liguei para avisar no trabalho que não sei que horas chego.”

Ela disse ter ouvido comentários sobre o motivo da paralisação. “Mas fica ruim para a gente, atrasa a vida da gente. Eu já demoro normalmente duas horas para chegar ao trabalho, e hoje se eu chegar às 9h já vai ser um milagre”, contou ela.   Outra que aguardava no mesmo ponto era a atendente de telemarketing Julinda Gonçalves da Silva, de 24 anos, que ainda está em período de treinamento na empresa em que trabalha. “Não tenho o número de ninguém lá, não consegui avisar. Quando chegar lá, eu converso, eles têm que entender”, disse ela, que não sabia do protesto antes de chegar ao ponto.

“Só sabia que tinham matado o sindicalista. Quando vi o ponto lotado, liguei as duas coisas. Apesar de nos prejudicar, acho que é válido”, disse ela, pouco antes de mais um ônibus com lotação máxima passar no local. “Quem é que entra? Só se subir no capô”, afirmou.

Há quase uma hora aguardando o ônibus que a levaria para o trabalho em Moema, a diarista Maria José Mendes Santos também precisaria negociar com a patroa nesta terça. “Ligueo para avisar, ela reclamou um pouco, mas tem que entender. Não tem como ir. Vou esperar mais um pouco, tentar, mas se não der, volto para casa.”

Juntas, a Vip M’Boi Mirim e Vip Guarapiranga têm quase 500 veículos e operação quase 50 linhas. As duas empresas ligam a Zona Sul da capital paulista a Santo Amaro e Jabaquara, na mesma região, e ao Centro. Os ônibus estão parados nas garagens, assim como os trabalhadores. De acordo com os funcionários, a paralisação deve ser encerrada apenas após o enterro de Ramos, marcado para as 10h desta terça.

Na Estrada do M'Boi Mirim, a situação mais complicada estava entre seu início e o número 2.000, com pontos muito lotados e trânsito complicado. Mais para a Zona Sul, a estrada tinha tráfego tranquilo e pontos menos cheios - mas ainda assim com passageiros aguardando os coletivos.

Assassinato

Nesta segunda, o sindicalista foi atacado no começo da manhã em frente à empresa onde trabalhava, na Zona Sul da capital. Ele estava na porta da garagem quando dois homens chegaram de moto. Sérgio tentou fugir, mas foi atingido por seis tiros. Testemunhas viram o crime.

Sérgio era uma das pessoas que denunciaram o suposto esquema de fraudes dentro do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de São Paulo. O caso, investigado há quase dois anos pela polícia e pelo Ministério Público, envolve a cobrança de propina para a contratação de planos de saúde. Duas testemunhas já foram assassinadas.

Antes de morrer, ele fez uma gravação denunciando um suposto esquema de corrupção no Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de São Paulo. No vídeo, Ele também dizia que estava sofrendo ameaças.    

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