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Policial militar que baleou estudante presta depoimento e deixa delegacia

Policial militar que baleou estudante presta depoimento e deixa delegacia

Atualizado: Quinta-feira, 23 Setembro de 2010 as 12:53

A policial militar de 33 anos que atirou na cabeça de um aluno de 17 anos em frente à escola onde ele estuda, na estrada M'Boi Mirim, na Zona Sul de São Paulo, prestou depoimento na delegacia, onde foi responsabilizada por lesão corporal culposa (sem intenção) e acabou liberada na manhã desta quinta-feira (23). De lá, ela seguiu escoltada para o presídio da Polícia Militar, na Zona Norte, onde ficará presa administrativamente. Segundo a PM, ela alegou que o disparo foi acidental. Testemunhas, no entanto, dão outra versão e dizem que a policial teve a intenção de atirar.

Leonardo Bento do Amaral teve diagnosticada morte encefálica após ser atingido pela bala que saiu da pistola da policial na tarde de quarta (22). Ela e outros policiais tentavam impedir a realização de um baile funk perto da Escola Estadual Luiz Magalhães de Araújo porque pessoas estariam interditando a via.

A Polícia Civil afirmou que deve indiciar ainda nesta quinta a soldado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Mas isso só irá ocorrer quando o hospital municipal do M’Boi Mirim informar a polícia que os aparelhos responsáveis pela respiração artificial de Leonardo forem desligados e receber um documento sobre a morte encefálica. A confirmação oficial deverá ocorrer após o meio dia desta quinta após a realização de alguns exames.

Enquanto deixava o 92º Distrito Policial, no Parque Santo Antonio, onde o caso foi registrado, a soldado e seu advogado não quiseram falar com o G1 . Segundo a assessoria de imprensa da PM, ela será levada para o presídio Romão Gomes, na Zona Norte. Mesmo que seja indiciada por homicídio culposo, a soldado irá responder em liberdade na investigação criminal da Polícia Civil.

Em nota, a PM informou que a soldado afirmou que foi cercada pelos integrantes do baile funk assim que desceu do carro da PM na quarta. Quando eles tentaram tirar sua arma, houve o disparo. Leonardo estava a menos de dez metros de distância da confusão e foi atingido na cabeça.

Dário dos Santos, que estava na local, deu outra versão. Afirmou que a policial desceu do carro disparando. Outra testemunha disse que Leonardo foi atingido quando ia subir numa moto. “Íamos embora, quando a policial não falou nada. Depois, vi o meu amigo baleado”, declarou o jovem que não quis se identificar.

Segundo o delegado titular do 92º DP, Carlos Alberto Delaye, pelo menos dez pessoas já foram ouvidas no inquérito. “Apesar disso, só poderemos colocar no boletim de ocorrência que houve homicídio quando o hospital nos comunicar que desligou os aparelhos do jovem”, disse o delegado ao G1 .

Segundo a família da vítima, Leonardo poderá será enterrado no Cemitério das Cerejeiras. “Estamos revoltados. A policial atira e faz isso com meu sobrinho e ainda vai continuar solta?”, disse a tia do estudante Cristina Bento, de 29 anos. A família informou que irá doar os orgãos da vítima.

Durante a manhã desta quinta, a PM foi chamada para atender outra ocorrência em frente a mesma escola. Alunos protestavam interditando parcialmente a rua. Além da revolta pela morte de Leonardo, uma excursão escolar para um parque de diversões teria sido cancelada nesta quinta por causa da morte do aluno.   Postado por: Guilherme Pilão

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