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Promotor diz que coronel da PM fez três ameaças à juíza morta no Rio

Promotor diz que coronel da PM fez três ameaças à juíza morta no Rio

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 1:47

Primeira testemunha de acusação a prestar depoimento no julgamento dos 11 policiais acusados de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli , o promotor Paulo Roberto Cunha, que trabalhou com a magistrada na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, disse nesta quarta-feira (9) que desconhecia que outros policiais, além do ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), quisessem a morte da juíza. Segundo ele, havia um clima hostil entre os dois há 20 anos, após um incidente no Maracanã.

"Tirando as três ameaças feitas pelo coronel Cláudio (Oliveira), que queria matá-la, não tenho informações de que nenhum outro réu quisesse a morte dela", disse o promotor, que lembrou que a júiza passou a receber ameaças após investigar 70 casos de auto de resistência praticados por policiais do batalhão comandado por seu desafeto.

Cunha lembrou que a cada três meses, a juíza, promotores, delegados do município faziam uma reunião para tentar resolver os problemas da comarca. O grupo tentou estreitar relações com o batalhão, principalmente com relação aos autos de resistência. Ele contou ainda que o então comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, chegou a prover um almoço no quartel general para promover essa aproximação com o comando do 7º BPM.

Julgamento da morte da juíza começou na manhã

desta quarta (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1) "Na ocasião da troca do comando do batalhão, quando o coronel Cláudio assumiu, o comandante Mário Sérgio informou que ele estava sendo levado para o 7º BPM, por ter um perfil mais operacional e para melhorar os índices do batalhão", disse o promotor, lembrando que apesar de tudo as relações entre os dois nunca foram muito amistosas.

"Ela recebia denúncias de que o coronel era envolvido com milícias e que queria matá-la, porque ela perseguia policiais, mas sem provas concretas, ela não teve como pedir o afastamento do oficial do 7º BPM.

Segundo o promotor, a juíza, que não tinha escolta pessoal, contava em 2009 com o apoio de quatro policiais no Tribunal de Justiça. Esses policiais faziam a escolta da juíza na ida e na volta para casa. Mas posteriormente, por ordem do comando geral, os quatro policiais foram tirados do Fórum de São Gonçalo. O TJ, por sua vez, tinha tirado a escolta da juíza por entender que ele não sofria mais qualquer tipo de risco.

"Sem entendimento com o TJ, com o comando do 7º BPM sendo hostil e sem conhecimento na Polícia Civil, ela não tinha a quem pedir segurança", disse o promotor.

Outra promotora que trabalhou com a juíza na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, prestou um depoimento de 20 minutos.

Coronel Cláudio Oliveira e o tenente Daniel Santos

Benitez Lopes conversam com seus advogados

durante julgamento. Os outros acusados não

estão presentes. (Foto: Alba Valéria Mendonça/G1) Julagmento

Começou por volta das 10h desta quarta o julgamento dos onze policiais militares acusados de participação na morte da juíza Patrícia Acioli , no Tribunal de Júri de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

Patrícia foi morta no dia 11 de agosto, com 21 tiros, quando chegava em sua casa, em Niterói. A juíza tinha um histórico de condenações contra criminosos que atuavam em São Gonçalo. Entrem os alvos investigados por ela, estavam quadrilhas que agem na adulteração de combustíveis e no transporte alternativo, entre outros crimes.

Catorze testemunhas de acusação devem ser ouvidas nesta quarta-feira. Outras 130 testemunhas, dessa vez da defesa dos acusados, devem ser ouvidas na próxima semana. Já os acusados só devem prestar depoimento no dia 18, último dia do julgamento.

Advogado diz que provas são fortes

Para o assistente da Promotoria, advogado Técio Lins e Silva - que representa as filhas menores, a mãe e as irmãs da juíza - não há anormalidade no número de testemunhas de defesa dos 11 acusados.

"Cada acusado tem direito a oito testemunhas. Isso é normal num processo com muitos acusados. Mas é certo que o juiz vai ouvir quem realmente tiver o que dizer. Não se trata de uma maneira de ganhar tempo, mas sim de um direito da defesa. Tenho absoluta confiança na Justiça e não tenho dúvidas de que o processo vai caminhar tranquilamente para que o júri, formado por cidadãos de Niterói, possa analisar o caso e fazer Justiça. As provas são muito fortes e estou confiante no melhor resultado", disse Lins e Silva.

O júri é presidido pelo juiz Peterson Barroso Simão, da 3ª Câmara Criminal de Niterói. Quatro promotores representam o Ministério Público. São eles: Rubem Vianna, Daniel Braz, Cláucio Cardoso e Antônio Carlos Pessanha.

Entre os acusados está o ex-comandante dos 7º BPM (São Gonçalo) e 22º BPM (Maré), tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira , que antes do crime já era investigado por Acioli por envolvimento com execuções e corrupção. Ele é acusado de ser o mandante do crime. Na ocasião em que foi preso, ele afirmou ser inocente .

As audiências acontecem nesta quarta, quinta (10) e sexta (11) e na próxima semana, nos dias 16,17 e 18 de novembro. Ao todo, a Justiça deve ouvir o depoimento de cerca de 150 testemunhas de defesa e acusação .

TJ negou liberdade de ex-comandante

Na terça-feira (8), a 3ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio negou o pedido de liberdade para o tenente-coronel Cláudio Luiz de Oliveira.

No início deste mês, a Justiça negou a transferência do ex-comandante e de um outro tenente que estão presos em Bangu 1, na Zona Oeste, com os outros nove PMs denunciados pelo crime. A decisão é do juiz Peterson Barroso Simão, da 3ª Vara Criminal de Niterói. No texto, ele afirma ainda que a transferência de unidade, no momento, seria “inadequada e desnecessária”.        

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