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Recuperação global da crise financeira é frágil e desigual, segundo a Unctad

Recuperação global da crise financeira é frágil e desigual, segundo a Unctad

Atualizado: Terça-feira, 14 Setembro de 2010 as 3:04

A recuperação da economia mundial, em relação à crise financeira, acontece de forma “frágil e desigual”, de acordo com relatório divulgado hoje (14) pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).

Frágil porque existe o risco de os países mais afetados retirarem os estímulos fiscais adotados para enfrentar a crise, numa tentativa de equilibrar seus orçamentos fiscais, principalmente na Europa Ocidental. Possibilidade que “pode levar a uma segunda recessão”, sem resolver o problema fiscal e com queda das receitas, de acordo com o secretário-geral da Unctad, Supachai Panitchpakdi.

Ele disse, na apresentação do relatório, que existe também o risco de “os desequilíbrios globais que contribuíram para a crise financeira não serem corrigidos”, em razão da falta de coerência da política macroeconômica entre as principais economias do mundo.

Enquanto isso, citou que quem lidera a recuperação são as economias de mercados emergentes, principalmente da Ásia e da América Latina, que haviam evitado grandes déficits externos e tinham acumulado reservas internacionais significativas antes da crise. Como resultado, “foram capazes de conter a taxa de desemprego na crise e conseguiram rápida recuperação da demanda interna”, acrescentou.

Por essas razões, os especialistas da Unctad estimam que o Produto Interno Bruto (PIB) da Ásia deve crescer em torno de 8% neste ano, enquanto o crescimento da América Latina deve ficar ao redor de 5%. Eles calculam expansão semelhante também para o Continente Africano, que foi menos afetado pela crise, justamente por serem menos integrados aos mercados  financeiros internacionais.

O secretário mencionou que, ao contrário, a recuperação tem sido fraca nas economias em transição da Europa. Segundo ele, antes da crise, alguns países tinham grandes déficits em conta-corrente e dependiam de entradas líquidas de capital, o que tem sido agravado por políticas macroeconômicas restritivas, muitas vez em programas liderados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

Nos países desenvolvidos, assim como em algumas economias emergentes, lembrou ele, grandes “pacotes de resgate” impediram o colapso do sistema financeiro, ao mesmo tempo em que políticas fiscal e monetária de suporte compensaram a lenta demanda privada. Com isso conseguiram taxas positivas de crescimento, mas “o padrão de recuperação é semelhante ao do crescimento desequilibrado da demanda global antes da crise”, sentenciou Panitchpakdi.   

Postado por: Thatiane de Souza

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