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Reunião do ministro da Justiça com Tuma Jr. termina sem qualquer definição

Reunião do ministro da Justiça com Tuma Jr. termina sem qualquer definição

Atualizado: Terça-feira, 11 Maio de 2010 as 8:14

Em reunião que durou mais de três horas, e que terminou no começo da madrugada desta terça-feira (11), o ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, e o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, conversaram sobre as denúncias das quais Tuma Júnior é alvo, segundo matérias divulgadas pela imprensa apontando sua ligação com o chinês Li Kwok Kwen, o Paulo Li, preso em setembro de 2009, acusado de contrabandear equipamentos eletrônicos de seu país. Após a reunião, ficou acertado que os dois voltarão a conversar sobre o assunto.

Ontem, o presidente da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, Sepúlveda Pertence, anunciou que o órgão decidiu abrir procedimento preliminar para apurar se o secretário agiu de forma irregular ao manter ligação com o chinês Li Kwok Kwen. Conhecido como Paulo Li, ele é acusado de contrabando pelo Ministério Público Federal.

Nota do Ministério da Justiça informa que Barreto recebeu na noite de sexta-feira,em Buenos Aires, informações da Polícia Federal sobre o caso. Hoje, a PF entregou mais informações para o ministro.

Na investigação, a PF diz que há suspeitas de que Tuma Jr. ajudou Paulo Li a regularizar a situação de imigrantes ilegais e interveio para liberar mercadoria apreendida.

Li, que foi assessor de Tuma Jr. quando ele era deputado estadual, está preso desde setembro do ano passado. O secretário não foi acusado formalmente à época porque o Ministério Público entendeu que não havia provas contra ele.

Nas gravações, Tuma Jr., que também é presidente do Conselho Nacional de Combate à Pirataria, trata da compra de um celular e de videogame.

Em entrevista à Folha, Tuma disse que a investigação da PF cometeu abusos. ''Não da PF, mas de pessoas da PF. Fui investigado e chegou-se à conclusão que eu não deveria ser denunciado. O caso foi ''arquivado'', afirma. Tuma Jr. afirmou que o caso foi encerrado no ano passado e voltou à tona por causa de seus ataques ao crime organizado.

Pauli Li

A prisão do chinês e de mais 15 pessoas ocorreu em setembro de 2009, após a PF deflagrar as operações Wei Jin (em chinês, trazer mercadoria proibida) e Linha Cruzada. Juntas, as duas operações tinham o objetivo de combater o contrabando de mercadorias e o vazamento de informações sigilosas, desarticulando uma quadrilha especializada no contrabando de celulares falsificados chineses.

De acordo com a PF, além de Paulo Li, a organização era integrada por despachantes aduaneiros, lojistas, gráficos, um ex-oficial do Exército Brasileiro e até mesmo um ex-membro do Serviço Secreto do Chile. Na época, a PF acusou ''um conhecido mestre de kung fu'' de ser um importante membro do grupo, responsável por movimentar mais de R$ 1 milhão mensais revendendo os aparelhos que recebia da China.

Além de ter sido instrutor de Kunf Fu de Tuma Júnior, Paulo Li deu aulas na superintendência paulista da PF quando o pai do secretário, o atual senador Romeu Tuma (PTB-SP), era superintendente do órgão. Na semana passada, o jornal ''O Estado de S. Paulo'' publicou uma matéria apontando a ligação de Tuma Júnior com Li. Em uma conversa telefônica gravada pela PF, ele pergunta ao chinês se um jogo eletrônico contrabandeado estaria à venda na Avenida Paulista, em São Paulo.

Ainda segundo o jornal, a PF também teria encontrado indícios de que Tuma Júnior auxiliou Paulo Li a regularizar a situação de chineses que viviam clandestinamente em São Paulo. À Agência Brasil, contudo, a assessoria da PF se limitou a informar que o secretário não foi investigado e que suas conversas com Paulo Li só foram gravadas porque os telefonemas do chinês estavam sendo monitorados com autorização judicial.

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