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Testemunha de morte com jet ski deve depor hoje

Testemunha de morte com jet ski deve depor hoje

Atualizado: Sexta-feira, 24 Fevereiro de 2012 as 9:29

A Polícia Civil deverá ouvir nesta sexta-feira (24) novas testemunhas sobre a morte da menina Grazielly Almeida Lames, de 3 anos, morta após ser atropelada por um jet ski na Praia de Guaratuba, emBertioga, no Litoral Norte de São Paulo, no sábado (18). Entre os depoimentos aguardados para esta sexta está o de uma pessoa que diz ter visto quando a garota foi atropelada.

Nesta quinta (23), a mãe de Grazielly, Cirleide Lames, afirmou que a família do adolescente suspeito de conduzir o equipamento ainda não havia entrado em contato com ela. A declaração foi dada logo após  prestar depoimento na delegacia da cidade.

“Até o momento nenhum [contato], nenhum telefonema. Isso é o que mais deixa a gente triste. Eles não prestaram nenhum tipo de socorro no momento. E isso é muito difícil”, disse a mãe. Ao comentar a declaração do advogado de que a família do suspeito também sofre por conta do acidente, Cirleide disse: “Eu queria que a mãe dele colocasse o filho dela no lugar da minha filha. Aí ela saberia o que é sofrimento".

A mãe lamentou ainda a demora no socorro da filha. “Se o socorro tivesse chegado mais rápido, eu ainda estaria com a minha filha.” Até esta quinta, cinco pessoas já haviam sido ouvidas pela polícia: o pai e a mãe da garota, os tios dela e um caseiro. A expectativa era que o adolescente de 13 anos, que é suspeito de conduzir o jet ski no momento do acidente, fosse até a delegacia acompanhado pelos pais.

O advogado da família do suspeito, Maurimar Bosco Chiasso, afirmou, no entanto, que, por conta do assédio da imprensa e por segurança, o garoto não tinha condições de depor nesta tarde. O depoimento da família acontecerá posteriormente. O G1 não conseguiu falar com ele após o depoimento da mãe para que pudesse comentar as declarações de falta de socorro e contato.

Segundo o delegado Maurício Barbosa Júnior, que conduz o inquérito, a defesa se comprometeu a encaminhar os familiares até a delegacia, apesar de eles morarem em outro município.

Caseiro

O caseiro da residência onde estava o jet ski relatou à polícia que foi chamado pelo adolescente para retirar o quadriciclo da casa. Ele disse ainda que levou o equipamento até a beira do mar. De acordo com o delegado, ele estava de costas quando ouviu os gritos e os pedidos de socorro. Segundo o delegado, o caseiro disse ter sido ameaçado após o acidente.

A defesa da família da garota espera que nesta sexta-feira (24) uma testemunha do acidente preste depoimento. Como é menor de 18 anos de idade, o garoto suspeito poderá responder a um ato infracional pela morte de Grazielly, segundo determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Dolo eventual

O advogado da família de Grazielly, José Beraldo, afirmou que a tese da defesa é de homicídio com dolo eventual da parte do responsável legal do adolescente e da pessoa que consentiu que ele pegasse o jet ski. Para Beraldo, o jovem teve autorização do proprietário do equipamento para levá-lo até o mar. “Ninguém pega [a chave] sem autorização. A chave tem que ser entregue. Quando a pessoa empresta, no caso a chave do jet ski, ela assume o risco de produzir o resultado, portanto ela pode responder por homicídio com dolo eventual.”

Para a defesa, houve ainda omissão de socorro. Há uma suspeita que o adolescente tenha deixado o local de helicóptero. A polícia, no entanto, acredita que ele tenha fugido de carro. “No momento em que estava chegando o helicóptero para socorro depois de 40 minutos, nós queremos saber se nesse intervalo eles estavam em fuga”, afirmou Beraldo.

Segundo o advogado, há provas de que, logo após o ocorrido, o adolescente foi retirado do local pela mãe. De acordo com o delegado, no entanto, ainda não há provas de que o proprietário tenha emprestado o equipamento ao adolescente. O aparelho, que foi apreendido no dia do acidente, ainda não foi periciado. A demora se deve ao fato da necessidade de especialistas náuticos o avaliarem.

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