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Três dias após explosão de aterro, lixo se acumula em cidades da Grande SP

Três dias após explosão de aterro, lixo se acumula em cidades da Grande SP

Atualizado: Quinta-feira, 28 Abril de 2011 as 1:09

Lixo se acumula em calçadas de Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  Não apenas quem vive nas proximidades do aterro Pajoan, em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo, sofre com os efeitos da explosão que causou o desmoronamento de milhares de toneladas de lixo e terra e o vazamento de chorume no local ocorrida nesta segunda-feira (25). Com a interdição do aterro pela prefeitura e pela Justiça, a coleta de lixo foi afetada em oito cidades da região do Alto Tietê. Em algumas delas, há sacos e mais sacos de lixo empilhados pelas ruas.     A situação mais crítica ocorre em Itaquaquecetuba. Na manhã desta quinta-feira (28), em diversas ruas da cidade era possível ver pilhas de sacos de lixo. Nas áreas mais comerciais, eles foram acomodados em montes nas esquinas e em praças. Nas ruas residenciais, estavam na porta das casas ou empilhados em terrenos vazios, ao lado de muros.

No Centro, funcionários de estabelecimentos comerciais contaram que a última coleta foi feita na terça-feira (26). Algumas pessoas nem sabiam que o problema era decorrente da explosão no aterro.

“A gente achou que ia ser só um dia sem recolherem. Acho que a maioria das pessoas não está antenada. Achei que era greve de lixeiros”, contou Cleide Nunes, de 47 anos, funcionária de uma loja na região. “Normalmente, o lixeiro passa todos os dias. Agora todo mundo da rua está concentrando os sacos em alguns pontos. Se tivesse na época de chuvas ia ser pior ainda, a enxurrada ia levar o lixo.”

No bairro Santa Helena, moradores contaram que já na segunda-feira o caminhão de lixo não apareceu. Quase todas as casas têm sacos de lixo na porta, e quem vive por ali faz o que pode para evitar problemas com animais e com o mau cheiro. “Já coloquei fogo em parte do lixo, em uns papéis. Fica muito feio, junta mosca, vem rato, os cachorros rasgam tudo”, contou o pedreiro Eucias Coutinho, de 53 anos.

Ruas residenciais de Poá também sofrem com a falta da coleta de lixo (Foto: Juliana Cardilli/G1) Os sacos de lixo da casa dele estavam todos presos sobre uma mureta, para evitar a ação dos cachorros. Sua vizinha, a doméstica Elza de Oliveira Rodrigues, de 50 anos, deixava os sacos dentro de sua garagem para não ter o mesmo problema. “Estou deixando dentro de casa, arrumando no quintal, para ver o que vou fazer. Na rua os cachorros atacam”, contou a mulher.

Em Poá, cidade vizinha, ruas residenciais também tinham pilhas de sacos de lixo em alguns pontos. Segundo os moradores, a última coleta foi na terça. “Contaram que estão guardando o lixo nos caminhões de coleta, por isso não vieram buscar mais”, contou a professora Carmem Ferreira, de 38 anos. No centro comercial da cidade, as ruas estavam limpas e não havia problemas.

A equipe de reportagem do G1 também foi até Suzano, na mesma região. No município, entretanto, não havia sinais de problemas – segundo moradores, a coleta de lixo foi feita nesta manhã.

Até a noite desta quarta-feira (27) apenas as cidades de Mogi das Cruzes e Arujá haviam recebido da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) autorização para levarem o lixo recolhido em suas ruas para outro aterro, em Santa Izabel.

Itaquaquecetuba, Ferraz de Vasconcelos, Poá e Suzano haviam feito o mesmo pedido, mas aguardavam uma decisão da Cetesb para esta quinta. Birirtiba-Mirim e Salesópolis não havia apresentando nenhum plano. Na manhã desta quinta, a Cetesb ainda não tinha atualização sobre as autorizações para as cidades.

A Prefeitura de Itaquaquecetuba informou que o secretário de Meio Ambiente do município estava reunido com a Cetesb na manhã desta quinta-feira para saber para onde o lixo da cidade poderá ser encaminhado. Apenas após essa indicação a coleta será retomada, o que pode acontecer ainda nesta quinta.

Já o secretário de Serviços Urbanos de Poá, Carlos Tavares de Lima, informou que a empresa responsável pela coleta está armazenando o lixos em seus veículos. “Estamos com poucos caminhões nas ruas, mas eles estão recolhendo”, afirmou. A prefeitura também aguarda uma indicação da Cetesb para onde o lixo poderá ser levado.

Interdição

A Justiça determinou nesta quarta a interdição do aterro Pajoan – o local já estava sem funcionar desde segunda, devido decisão da Prefeitura de Itaquaquecetuba. A 1ª Vara Cível da cidade também determinou que o chorume localizado na área do aterro e que vazou para o Córrego Taboãozinho seja retirado em um prazo de cinco dias, assim como a liberação da Estrada do Ribeiro, que teve cerca de 300 metros soterrados pela montanha de terra e lixo.

Caso isso não seja cumprido, a empresa terá que pagar multa de R$ 200 mil por dia. Os representantes da empresa ainda não se pronunciaram sobre o assunto.

Eucias queimou parte do lixo para evitar mau cheiro em frente de casa (Foto: Juliana Cardilli/G1)

  Também nesta quarta, em reunião na capital paulista, a Pajoan apresentou um plano emergencial para a contenção do chorume e a abertura de uma passagem para pedestres onde o lixo cedeu.

Desde segunda, equipes da Defesa Civil, bombeiros e da própria empresa trabalham na retirada dos resíduos. Bombeiros e Defesa Civil também fazem buscas por possíveis desaparecidos – testemunhas disseram que dois veículos desapareceram após o acidente.

Segundo o coordenador da Defesa Civil da cidade, Antônio Carlos Orlando, ainda não há nenhuma pista sobre as supostas vítimas. As buscas foram retomadas às 6h desta quinta. O órgão está consultando registros policiais a cada cinco horas em busca de algum registro de pessoa desaparecida, o que ainda não ocorreu.        

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