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Tumor de Lula tem 'agressividade média', dizem médicos

Tumor de Lula tem 'agressividade média', dizem médicos

Atualizado: Segunda-feira, 31 Outubro de 2011 as 12:47

Equipe médica do hospital Sírio-Libanês que trata

o ex-presidente Lula (Foto: Juliana Cardilli / G1) Em entrevista coletiva concedida na manhã desta segunda-feira (31), a equipe médica que trata o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o resultado de uma biópsia realizada mostrou que o tumor tem "nível de agressividade médio".

Lula começou nesta segunda no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tratamento de quimioterapia contra câncer na laringe, diagnosticado no sábado (28 ).

“É o tumor mais comum dessa região, tem agressividade clássica dos tumores dessa região. É considerado um tumor intermediário, que tem um crescimento razoável se não for tratado. (...) O tumor foi detectado em um estágio intermediário. Ele é relativamente inicial, mas não tão inicial que da para resolver com uma pequena cirurgia, mas ele é localizado, para nós isso é muito importante”, disse Paulo Hoff, oncologista da equipe que trata o ex-presidente Lula.

Ainda segundo a equipe, a decisão por fazer o tratamento sem cirurgia foi tomada por ser a mais adequada.

“Até 20 anos atrás ele seria tratado com cirurgia. Estudos agora mostram que o resultado da cirurgia e da quimio e radio em termos de cura são exatamente iguais. Além de oferecer as mesmas possibilidades de cura [o tratamento com radio e quimioterapia] tem uma possibilidade enorme de preservar a laringe em sua integridade, com preservação da voz”, explicou o cirurgião Luiz Paulo Kowalski.

Devido ao posicionamento do tumor, caso a opção dos médicos para o tratamento fosse pela cirurgia, seria necessário, por margem de segurança, retirar parte das cordas vocais. “Parte das cordas vocais teria que ser removida como margem de segurança, a cirurgia seria pior do ponto

A equipe afirmou, porém, que o tratamento quimioterápico pode trazer como efeito colateral uma pequena alteração de voz.

Ainda conforme os médicos, os primeiros resultados do tratamento poderão ser notados em cerca de 40 dias.

"Nossa expectativa é que ele responda bem ao tratamento", afirmou Roberto Kalil Filho, médico que trata de Lula desde antes de ele se tornar presidente.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou por volta das 10h desta segunda ao hospital. O tratamento, segundo os médicos, deve durar pelo menos três semanas, podendo ser estendido a depender dos resultados.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao chegar no Hospital Sírio-Libanês

nesta segunda (Foto: Nelson Antoine / Agência Estado) Segundo os médicos, o tipo de câncer que afeta o ex-presidente Lula atinge uma média de seis a sete homens para cada 100 mil no mundo. São Paulo é uma das cidades com maior incidência no mundo – 15 a 16 para cada 100 mil homens – provavelmente devido ao tabagismo e talvez consequência da poluição atmosférica, informaram os médicos.

Tratamento

Lula vai receber um coquetel com três medicamentos: taxotere, cisplatina e fluorouracila. Os remédios vão agir para interromper a multiplicaçao desordenada das células, o que caracteriza a existência do tumor. Segundo médico, o tratamento pode causar queda de cabelo, descamação da pele e o sistema imunológico pode ser afetado.

"Nesse tipo de quimioterápico, os efeitos [colaterais] são gastrointestinais. Tanto diarréia como constipação intestinal, enjoo, queda da imunidade, um tipo de fraqueza. Isso pode acontecer, com certeza, queda de cabelo e barba é bem provável que ocorra isso", explicou o médico.

Um catéter, ligado a uma bolsa que ficará amarrada na cintura de Lula, será instalado do lado de direito do peito do ex-presidente para que seja injetada medicação direto na corrente sanguínea por cinco dias.

O que levou Lula ao hospital foi uma rouquidão anormal, que surgiu há cerca de 40 dias. Ele passou por uma ressonância magnética e uma tomografia de pescoço, exames que acabaram por levar ao diagnóstico da doença.

Agenda

A doença, diagnosticada no último fim de semana, fez Lula suspender a agenda de viagens nacionais e internacionais até janeiro de 2012. Desde que deixou a Presidência da República, Lula tem viajado pelo Brasil e pelo mundo fazendo palestras e se encontrando com chefes de Estado e personalidades.

Segundo nota divulgada pela assessoria do ex-presidente, a agenda foi revista para que Lula possa se concentrar no tratamento do câncer. A agenda internacional do ex-presidente incluía uma viagem à capital dos Estados Unidos, Washington, no dia 9 de novembro, para receber o Prêmio da ONG norte-americana Africare.

No dia 10 do mesmo mês, Lula tem marcada uma palestra na República Dominicana, de onde seguiria para a Venezuela, para encontro com o presidente Hugo Chávez no dia 11.        

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