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UPP no Alemão começará a ser instalada em março, diz Beltrame

UPP no Alemão começará a ser instalada em março, diz Beltrame

Atualizado: Quinta-feira, 8 Setembro de 2011 as 12:57

Militar no Alemão (Foto: Wilton Júnior/AE)

A Unidade de Polícia Pacificadora do Conjunto de Favelas do Alemão vai começar a ser instalada em março do ano que vem, segundo o secretário de segurança pública do Rio, José Mariano Beltrame. Em entrevista à Rádio CBN nesta quinta-feira (8), o secretário afirmou que os policiais vão chegar na comunidade de forma gradativa.

Segundo Beltrame, pelo menos nove bases administrativas serão montadas, além de bases comunitárias. Ao todo, o efetivo deve ser de 2.200 homens.

“Em primeiro lugar é claro que há previsão para essa instalação a partir de março, 500 homens em março, 500 em abril, 500 em maio e 700 em junho, mas a manutenção do Exército naquela área, no nosso entendimento, é muito maior que isso", disse o secretário.

Segundo ele, a ocupação do Alemão, que aconteceu em novembro do ano passado, foi antecipada. "O Alemão era para ser feito no final desse ano e no início do ano. O Exército veio, nos ajudou e está ajudando, e aí por que desfazer essa parceria?”, explicou Beltrame, ressaltando que a presença do Exército no Alemão permite o remanejamento de policiais militares para o patrulhamento em outras áreas do estado.

"A permanência dele (o Exército) lá nos permite devolver policiais para o interior, nos permite fazer alguns remanejamentos, botar alguns policiais em estágio em outras UPPs e atender o Alemão a partir de março dentro desse cronograma", completou Beltrame.

Depois dos conflitos que assustaram os moradores do Conjunto de Favelas do Alemão, na Zona Norte do Rio, a população retoma aos poucos a sua rotina. Segundo o coronel Nilson Maciel, comandante da Força de Pacificação, a madrugada desta quinta-feira (8) foi tranquila na comunidade. O patrulhamento segue reforçado na área.

"A população está agindo normal como todos os dias da semana", disse o coronel, que reforçou a informação de que não houve novos conflitos durante o feriado de 7 de setembro. "As coisas se inflamam e se apagam muito rápido aqui", explicou.

Traficantes de fora

Em coletiva na quarta-feira (7), o general Adriano Pereira Júnior, que está à frente do Comando Militar do Leste, disse que os confrontos no Alemão foram articulados por traficantes que estão em outras favelas e que querem voltar a dominar a área.

"Tenho certeza de que esse primeiro ataque no Alemão foi articulado por grupos em outras comunidades não pacificadas que estão querendo voltar ao Alemão", afirmou o general. Ele disse ainda estar investigando suspeitas de que um traficante foragido da Vila Cruzeiro poderia estar por trás da ação.

Já o secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, afirmou que traficantes tiveram acesso ao Alemão pela Vila Cruzeiro. "Tenho informação de que um pequeno grupo de traficantes entrou no Alemão pela Vila Cruzeiro, de carro, desencadeando os fatos", disse, acrescentando que "nada vai ser consertado de uma hora pra outra depois de 30, 40 anos de abandono".

De acordo com o general, esse foi o primeiro problema desde a ocupação da Força de Pacificação, em novembro. "Isso foi uma reação ao anúncio do Exército de prolongar sua permanência no local. Em dez meses de ocupação, houve em torno de quatro mil a cinco mil abordagens e só teve problema em uma".

Para o comandante, os tiros da noite de terça-feira (6) não foram disparados de dentro da área de atuação da Força de Pacificação. "Alemão e Penha não têm armas pesadas. Os tiros vieram do Morro do Adeus e da Baiana", afirmou o general Adriano Pereira Júnior sobre os morros que passaram a ser ocupados pela Polícia Militar.     Exército continua no Alemão (Foto:Wilton Júnior/AE)

    De acordo com o comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, o efetivo nos Morros do Adeus, em Bonsucesso, e Baiana, em Ramos, terá 120 policiais. "Vamos dar prioridade aos pontos altos e mais 11 pontos ao redor dos morros. São 120 homens que vão ocupar Adeus e Baiana dia e noite, por tempo indeterminado", disse o coronel.

Ao todo, de acordo com a Força de Pacificação, 1,7 mil homens do Exército e das polícias Civil e Militar, ocupam o Alemão. E, segundo general Adriano Pereira Júnior, esse efetivo ganhará o reforço de mais 100 ou 200 homens. "A paz ainda não é completa porque muitos moradores ainda temem a volta dos criminosos que fugiram quando houve a ocupação. Alemão e Penha são pontos de honra para nós", garantiu o general.

Ainda segundo o comandante, no local, há policiamento ostensivo e 420 patrulhas diárias, que ele considera um esquema muito eficiente. Mesmo assim, afirmou que vai aumentar o efetivo e fazer mais revistas em pessoas com atitudes suspeitas, mas sem interferir a ponto de ser inconveniente à população. "(Alemão) Não é praça de guerra, não podemos prejudicar a vida da população", afirmou o general Adriano Pereira Junior, acrescentando que o direito de ir e vir das pessoas tem que ser respeitado.

O Teleférico do Alemão passa por uma inspeção para verificar se foi atingido durante o tiroteio iniciado na noite de terça-feira (6). Segundo a SuperVia, ele não funcionaria nesta quarta-feira por causa do feriado.

Exército nega morte de jovem por bala perdida

O Comando Militar do Leste negou que uma menina de 15 anos tenha morrido, após ser atingida por bala perdida. "Não passou de uma armadilha do tráfico", garantiu o comandante, acrescentando que os policiais procuraram pela suposta vítima em todos os hospitais da região e nada encontraram.

Na manhã de quarta-feira, o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) esteve no Alemão para conversar com moradores. "Realmente diminuiu o número de homicídios no Alemão, e isso é ótimo. Mas também é necessário ter hospital, escola, e isso não tem. Já tem tempo que estamos planejando fazer uma audiência pública, precisamos saber quais são as políticas públicas pra cá, o planejamento", afirmou o deputado. "Por enquanto, o Exército está ocupando um lugar que deve ser da polícia".          

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