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Vigias de supermercado de São Paulo são indiciados por tortura

Vigias de supermercado de São Paulo são indiciados por tortura

Atualizado: Sexta-feira, 4 Fevereiro de 2011 as 1:27

A Polícia Civil de São Paulo concluiu que o vigilante Januário Alves de Santana, espancado no estacionamento do Carrefour de Osasco, na Grande São Paulo, em agosto de 2009, foi torturado pelos seguranças da loja. Negro, ele foi acusado de tentar roubar o próprio carro. Cinco seguranças envolvidos foram indiciados e podem pegar até oito anos de prisão. O indiciamento é considerado inédito em casos de discriminação racial no país. O inquérito deve ser finalizado até o fim do mês, quando será encaminhado para o Ministério Público.

"Restou cristalino que Januário Alves de Santana foi submetido a intenso sofrimento físico e mental a fim de obter sua confissão. Angustiante perceber que (o que motivou) a empreitada foi a discriminação racial", escreveu o delegado Léo Francisco Salem Ribeiro, do 9.º Distrito Policial de Osasco, no despacho de indiciamento anexado ao inquérito.

Em 7 de agosto de 2009, Santana aguardava do lado de fora de seu carro no estacionamento quando foi abordado pelos seguranças, que o espancaram alegando ser "impossível um neguinho ter um EcoSport". O vigilante foi agredido com "cabeçadas, esganaduras, coronhadas e socos" para que confessasse o roubo do próprio veículo, segundo o despacho, de 18 de novembro. Santana, de 39 anos, fraturou a face, perdeu um dente e teve de passar por cirurgia.     Em nota, o Carrefour informou que todos os funcionários envolvidos no caso "foram afastados na ocasião do ocorrido" e que "colabora com as autoridades" até o fim da investigação. Também ressalta que "implementou ações de comunicação e formação, que visam a difundir conceitos de diversidade e promoção da inclusão social". No ano passado, o Carrefour indenizou o vigilante em acordo extrajudicial, por um valor não divulgado.

Três policiais militares que atenderam a suposta ocorrência de roubo de veículo são citados no indiciamento por "omissão de socorro" e serão julgados pelo Juizado Especial Criminal.    

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