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Viúva de René Sena chega ao Fórum de Rio Bonito para depor

Viúva de René Sena chega ao Fórum de Rio Bonito para depor

Atualizado: Quinta-feira, 1 Dezembro de 2011 as 1:23

Adriana Almeida chegou ao Fórum de Rio Bonito

pouco antes das 13h desta quinta

(Foto: Tássia Thum/G1) Adriana Almeida, viúva de René Sena , chegou por volta das 12h45 desta quinta-feira (1º) ao Fórum de Rio Bonito, na Baixada Litorânea do Rio de Janeiro. Ela á acusada de mandar matar o ex-lavrador e ganhador do prêmio da Mega-Sena, René Sena, em 2007. O depoimento de Adriana está previsto para acontecer nesta tarde e deve durar nove horas. Ela chegou ao Fórum acompanhada do advogado e de dois policiais militares.

Além de Adriana, mais três réus são acusados de participar do crime.

Dois acusados foram ouvidos entre a noite de quarta-feira (30) e início desta madrugada. O primeiro réu a ser ouvido foi o policial militar Ronaldo Amaral, que chegou a ficar preso por 1 ano e 8 meses. Ele trabalhou por dois meses como segurança de René Sena. No entanto, o PM disse que na época do crime já não trabalhava mais com o milionário.

O depoimento do policial durou cerca de 30 minutos. Ele é acusado de fornecer uma moto que foi usada no crime. Ronaldo voltou a negar participação no caso.

O segundo réu interrogado foi o também policial miliar Marco Antônio Vicente, que ficou 1 ano e 11 meses preso e é acusado de ajudar a planejar o crime. Ele disse que trabalhou na segurança de René Sena pelo período de 30 dias, no ano de 2006. O PM também negou participação no caso. O interrogatório foi interrompido por volta de 0h20 desta quinta.

Após os interrogatórios desta quinta começarão os debates entre a defesa e a acusação, e só depois os jurados vão se reunir para concluir o julgamento.

Depoimentos

O depoimento de 16 das 52 testemunhas envolvidas inicialmente no julgamento terminou por volta de 23h desta quarta. O julgamento começou no fim da tarde de segunda-feira (28), com seis horas de atraso.

O júri é presidido pela juíza Roberta dos Santos Braga Costa, da 2ª Vara de Rio Bonito. A decisão caberá a um júri popular, formado por cinco homens e duas mulheres.

Os ex-seguranças da vítima - o ex-policial militar Anderson Silva de Sousa e o funcionário público Ednei Gonçalves Pereira - já foram condenados a 18 anos de reclusão, cada um, pelo assassinato de René Sena e pelo crime de furto qualificado. O julgamento dos dois foi em julho de 2009, segundo o TJ.

Família da viúva

No terceiro dia de julgamento, seis testemunhas prestaram depoimento. O júri ouviu Valéria Almeida, irmã de Adriana, Marcelo Braga, cunhado da viúva e que trabalhou como administrador da fazenda onde René morava, um enfermeiro que cuidou do milionário, além do policial militar Alexandre da Fonseca Cipriano, ex-segurança de René, Creusa Almeida, mãe de Adriana, e Otávio dos Santos, namorado de Renata - filha da vítima.

Na quarta-feira (30), o cunhado e a mãe de Adriana disseram que foram pressionados por policiais civis, durante a fase de investigação do crime, em 2007.  Marcelo Braga negou trechos do depoimento dado à Divisão de Homicídios (DH) e disse à Justiça que assinou o documento sem poder ler. Segundo ele, os policiais não o permitiram.

No interrogatório, Creusa disse que não prestou depoimento na sede policial, conforme indicava seu testemunho anterior à Justiça. Ela afirmou que foi ouvida pelos agentes da DH  na fazenda onde morava René. Na ocasião, a mãe de Adriana disse que os policiais davam socos na mesa, na tentativa de intimidá-la, considerando que ela não sabe ler nem escrever.

"Os policiais queriam que eu incriminasse a Adriana. Mas eu disse que ela é inocente, e quem fez tudo isso, fez na na intenção de prejudicá-la", discursou a mãe.

No fim de seu depoimento, que durou cerca de duas horas, ela disse que no dia da morte de René, Adriana se encontrou com o seu pai. Após a declaração, o advogado de defesa Jackson Costa tentou informalmente suspender o julgamento, alegando que precisava do testemunho do pai. No entanto, a juíza explicou que a fase de escolha de testemunhas já tinha terminado.

Ainda durante o julgamento da mãe, faltou luz no tribunal, e o julgamento foi paralisado por alguns minutos.

Exame de DNA

Os parentes de Adriana informaram também que René havia comentado certa vez que suspeitava da paternidade da filha, e por isso, pensava em pedir um exame de DNA. As testemunhas contaram que o milionário se queixava de alguns familiares, dizendo que eles o procuravam apenas para pedir dinheiro.

Ao ser interrogado, o namorado de Renata negou que René tivesse dúvidas em relação a paternidade. Ele também defendeu a única filha do milionário ao dizer que a jovem se preocupava pelo pai, mas era impedida por Adriana de ter um contato maior com René.

Disputa pela herança

A promotora Priscilla Naegelle acredita que a sentença será favorável à filha de René Sena, Renata Sena, que trava uma disputa com Adriana pela herança. "Nós temos várias provas, incluindo interceptações telefônicas que apontam a Adriana como mandante do crime", afirmou a promotora.

O assistente de acusação, o advogado Marcus Rangoni, contratado pela filha da vítima, disse que após a sentença ser proferida, a filha do milionário pretende se mudar para fora do país. "Está mais do que provado que Adriana tinha interesse na morte do Renê", afirmou o advogado, confiante na condenação da viúva do milionário.

Adriana chega acompanhada do advogado 

(Foto: Tássia Thum/G1) Alguns dos dez irmãos de René Sena também foram ao fórum na quarta-feira para acompanhar o terceiro dia de sessão. Eles entraram com uma ação na Justiça para anular o testamento deixado por René que previa a divisão da fortuna apenas entre Renata e Adriana.

De acordo com o advogado contratado pelos irmãos, Sebastião Mendonça, o ex-lavrador tinha feito anteriormente um testamento que dividia a herança entre os irmãos, um sobrinho e a filha de Rene, Renata. "Estima-se que atualmente o patrimônio deixado pelo Rene seja de R$ 60 milhões entre fazendas, coberturas e imóveis de luxo. Além do mais, cerca de R$ 44 milhões em aplicações financeiras estão bloqueados pela Justiça", disse Mendonça.

Prêmio de R$ 52 milhões em 2005

Ex-lavrador, René Senna, ficou milionário em 2005, ao ganhar R$ 52 milhões no prêmio da Mega-Sena. Diabético, ele tinha perdido as duas pernas por causa de complicações da doença, e levava uma vida simples em Rio Bonito. Com o dinheiro, comprou casa para os irmãos, um quadriciclo para circular e uma fazenda na cidade, onde mantinha centenas de cabeças de gado. Com medo de sequestro, ele havia contratado seguranças. Apesar de ter enriquecido, René mantinha hábitos simples, como o de beber com amigos num bar próximo de sua fazenda.

Em 2006, começou a namorar a cabeleireira 25 anos mais nova que ele. Ela abandonou o emprego e foi morar com ele na fazenda, junto com dois filhos do primeiro casamento. Segundo parentes do milionário, ela passou a usar roupas caras e a circular num Mercedes-Benz, acompanhada de seguranças.

René Senna foi morto a tiros na manhã de 7 de janeiro de 2007, no Bar do Penco, perto de sua propriedade, por dois homens encapuzados, que estavam numa moto. Ele estava sem os seguranças. No dia do enterro, começaram as primeiras supeitas da família do ex-lavrador contra a viúva , que tinha passado o réveillon com um amante em Arraial do Cabo, na Região dos Lagos do Rio.        

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