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Geoengenharia pode desacelerar ciclo global da água

Geoengenharia pode desacelerar ciclo global da água

Atualizado: Quinta-feira, 12 Junho de 2008 as 12

À medida que aumentam as emissões causadas pela queima de combustíveis fósseis, a redução da luz solar que atinge a Terra poderia de fato ter um efeito de resfriamento sobre as temperaturas na superfície.

Entretanto, um novo estudo feito no Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, liderado pelo cientista Govindasamy Bala, mostra que essa manipulação intencional da radiação solar também poderá levar a um ciclo global da água menos intenso. Diminuir as temperaturas por meio da "geoengenharia" também poderá significar menos chuvas.

A redução na luz solar pode ser alcançada através de métodos de geoengenharia. Há duas classes desses métodos: o projeto chamado "sombra solar, que poderia suavizar as alterações no clima por meio da manipulação intencional da incidência da radiação solar sobre a superfície da Terra; enquanto a outra categoria inclui a remoção do CO2 atmosférico e seu seqüestro em vegetações terrestres, oceanos ou em formações geológicas profundas.

O projeto de sombra solar inclui a colocação de refletores no espaço, injetando sulfato ou outras partículas reflexivas na estratosfera, ou melhorando a reflexibilidade das nuvens injetando núcleos de condensação na troposfera. Quando o CO2 tiver dobrado, como se prevê que acontecerá no futuro, uma redução de 2% na luz do Sol seria suficiente para contrabalançar o aquecimento.

Esta nova pesquisa investigou a sensibilidade da média global de precipitações chuvosas em relação ao efeito estufa e aos fenômenos solares separadamente para tentar compreender o ciclo global da água em um panorama de geoengenharia.

Enquanto a resposta da temperatura na superfície da Terra é a mesma para o CO2 e para os fenômenos solares, a resposta das chuvas pode ser muito diferente.

"Nós descobrimos que, embora a sensibilidade possa ser a mesma para diferentes mecanismos de atuação, a sensibilidade hidrológica é muito diferente," diz Bala.

A média global de chuvas aumenta aproximadamente 4% em resposta à duplicação do CO2 e cai 6% pela redução da luz solar, segundo a modelagem feita no estudo.

"Como o ciclo global da água é mais sensível a alterações na radiação solar do que ao incremento no CO2, a geoengenharia poderia levar a um declínio na intensidade do ciclo global da água," diz Bala.

Sombra sobre outros problemas

Por exemplo, diz o pesquisador, a geoengenharia da sombra solar não iria limitar a quantidade de emissões de CO2. Os efeitos do CO2 sobre a química dos oceanos, especificamente, poderiam ter conseqüências danosas para a vida marinha por causa da acidificação dos oceanos, que não seria mitigada pelo projeto de geoengenharia.

"Embora os projetos de geoengenharia mitigariam o aquecimento superficial, nós continuaríamos a ter que lidar com as conseqüências das emissões de CO2 sobre a vida marinha, sobre a agricultura e sobre o ciclo da água," conclui Bala.,

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