Ação! Romance! Justiça Social!

Ação! Romance! Justiça Social!

Atualizado: Quarta-feira, 20 Julho de 2011 as 12:14

Frequentemente, as leituras do verão americano são intensas e negligentes, consistindo em livros igualmente fascinantes e vazios. Assim, como um serviço de utilidade pública, sinto-me satisfeito em sugerir uma lista de leituras interessantes e eletrizantes, repletas de cenas de perseguição, romance e lacunas que você não irá importar-se com o seu valor social.

Aqui estão dez triunfos em ficção, igualmente divertidos e significativos por razões literárias ou históricas. Garanto o prazer e o direito de gabar-se durante a sua próxima festa.

Enchi a minha lista com leituras relacionadas à justiça social. Num período em que a desigualdade atingiu níveis históricos nos Estados Unidos, parece-me útil exercitar a consciência juntamente com a imaginação. Aqui está a minha lista extravagante para a melhor leitura de praia de todos os tempos.

'Germinal’, a obra-prima de Emile Zola descreve a vida de mineiros de carvão durante uma greve na França de 1860. A descrição idealizada da vida de Etienne e da sua paixão, Catherine; os seus esforços e os seus anseios por uma vida melhor, transformam a leitura em algo fascinante. Você é transportado para um dos maiores cenários de batalha da Revolução Industrial e passa a compreender a origem dos movimentos trabalhistas de uma maneira como nenhum livro de história poderia ensinar.

'Fogo Pálido’ não é tão conhecido quanto o perversamente divertido 'Lolita’, também escrito por Vladimir Nabokov, mas deveria sê-lo. É um feito impressionante de imaginação e literatura, diferentemente de qualquer outra novela que eu conheço. É um poema épico, uma aventura sobre a misteriosa terra de Zembla e, acima de tudo, um quebra-cabeças: será que a personagem principal é insana? 'A Cabana do Pai Tomás’ foi escrito por Harriet Beecher Stowe, cujo nascimento ocorreu há exatos 200 anos atrás. Trata-se da novela que tornou impossível para os Estados Unidos tolerar a escravidão por mais tempo. É uma leitura comovente, chorosa e uma janela para os pecados originais desse país. Ela é atualmente banida em algumas escolas por utilizar a palavra 'nigger’ (pejorativa nos EUA), mas permanece uma fonte poderosa e esclarecedora sobre as dimensões da escravidão nos Estados Unidos.

'As Vinhas da Ira’ é o fabuloso relato de John Steinbeck sobre a luta de uma família de Ocklahoma durante a Grande Depressão. Tom Joad e família abandonam tudo que possuem para tentar a vida na Califórnia, na esperança de uma vida melhor, mas encontram o campo de jogo sempre inclinado contra eles.

Com o país ainda se recuperando da Grande Recessão, esse parece ser o momento perfeito para conhecer o trabalho difícil de Tom.

'O Morro dos Ventos Uivantes’, por Emily Brönte, talvez seja a maior história de amor da literatura. Catherine precisa escolher entre a sua alma gêmea, Heathcliff, carente de educação e status, e o respeitável Edgar. As personagens resplandecem dolorosamente: elas são moldadas pelas pressuposições do século 19 sobre classe e dominação masculina, mas estão sujeitas a emoções humanas irrepreensíveis.

'Nosso Homem em Havana’, por Graham Greene, é uma comédia e suspense de espionagem que pode parecer um pouco inculto para a lista. Mas duas lições que nunca aprendemos com a política externa é que nada sai como previsto e que os furos de inteligência são sempre suspeitos. A história de Greene sobre um desafortunado espião em Cuba trabalha essas questões de modo inesquecível. O espião não possui nenhuma informação real para transmitir, então ele começa a inventar histórias e, a partir daí, a trama torna-se mortal.

'Tudo Tranquilo na Frente Ocidental’, escrito por Erich Maria Remarque talvez seja a novela de guerra mais aclamada da história. Ela narra a história de um jovem e seus amigos de colégio que se alistam no exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial e acabam descobrindo que a guerra não é algo glorioso, tratando-se de um pesadelo tedioso.

'Os Miseráveis’, de Victor Hugo, conta a história de Jean Valjean, que após ser liberado da prisão por roubar um naco de pão e alimentar a família da irmã. Ele é constantemente perseguido pelo inspetor Javert através de uma narrativa poderosa, com cenas de perseguição mais eletrizantes do que qualquer uma dos filmes de James Bond. O livro também explora de forma sublime a temática de classes sociais, de justiça, de redenção e de misericórdia.

'Um Estranho Misterioso’ não é o trabalho mais famoso de Mark Twain e não faz rir como 'O Príncipe e o Mendigo’ ou 'Um Yankee na Corte do Rei Arthur’, mas é uma pequena história que se engalfinha com questões sobre Deus e o mal. É a narrativa de um anjo cruel que cai numa aldeia e provoca estragos.

O anjo anima pequenas pessoas de barro e, em seguida, para o seu próprio divertimento, as destrói com uma tempestade, um incêndio e um terremoto.

Como todo Twain, é um livro de leitura fácil, e mais do que a maioria dos contos, faz você pensar.

'Scoop’, de Evelyn Waugh é uma análise divertida sobre a imprensa marrom, focada num escritor de natureza que é despachado por engano para cobrir uma guerra na África. Eu gostaria de poder dizer que 'Scoop’ é uma sátira absurdamente cômica. Mas qualquer um que tenha feito uma cobertura sobre o Iraque ou sobre o Afeganistão sabe que o assunto permanece relevante. E se você fizer a leitura do livro, você terá a noção do caminho incerto e muitas vezes pouco confiável através do qual a cobertura jornalística chega até você.  

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