Livro que conta história real faz sucesso entre deficientes de surdocegueira

Pedagoga lança obra sobre surdocegueira

Atualizado: Quarta-feira, 26 Dezembro de 2012 as 3:05

 

A pedagoga Ana Maria de Barros Silva acaba de lançar um livro chamado "Heldy Meu Nome -- Rompendo as barreiras da surdocegueira" que conta a história real de Heldyeine Soares, uma moça de 21 anos que superou o isolamento e as limitações de sua surdocegueira congênita herdada pela rubéola contraída pela mãe na gravidez.

Quando era criança, Heldyeine só sabia chorar e se arrastar de costas no chão causando graves falhas em seu couro cabeludo. Devido a sua surdocegueira congênita, Heldy parecia uma criança isolada, mas, pouco a pouco foi aprendendo a pegar objetos, andar, comer, tomar banho, reconhecer pessoas e emoções além de expressar desejos e interagir com o mundo, por meio do toque.

surdocego

Hoje, aos 21, a moça se comunica por meio de Libras (Língua Brasileira de Sinais) tátil.

Os sinais usados por ela são feitos com as mãos, que ficam em forma de concha, fazendo com que ela os sinta e os interprete.

O mundo novo de Heldy é feito de gestos que a ajudam a identificar coisas e pessoas, e é traduzido para as Libras tátil, ampliando suas possibilidades de interação e abstração.

Segundo a autora parte do sucesso do livro é mérito também da professora aposentada Marly Cavalcanti Soares, do Instituto dos Cegos de Fortaleza, que encarou o desafio de ensinar a menina, apesar de ter poucos recursos e de não ter muito conhecimento sobre a surdocegueira.

 

“Essa é uma história de sucesso que não poderia ficar apagada. Surdocegos congênitos como ela tendem a ficar isolados, não têm esse desenvolvimento", diz a autora, que trabalha há 40 anos com a educação de surdocegos.

O livro só pôde ser escrito graças aos seus detalhados relatórios do progresso de Heldy. Anotava cada conquista, tirava fotos e fazia vídeos, batizados de "Renascer".

Os textos dão uma ideia de como o progresso foi alcançado e comemorado e mostram como Heldy aprendia rápido e dava sinais de que queria mais. Agora, Heldy tem bastante autonomia --a família só não deixa que saia na rua sozinha ou cozinhe. Ela frequenta o Instituto de Surdos de Fortaleza para aprimorar seu conhecimento de Libras e faz bijuterias no tempo livre.

Algumas das anotações da professora Marly que estão no livro são dirigidas diretamente a Heldy. Seu sonho era que um dia a menina pudesse ler sua própria história.

Os primeiros capítulos foram enviados à jovem em braile --ela lê, mas não fluentemente --e o livro todo deve ser lançado nesse formato.

Se você gosta e conhece algum surdocego esse é um ótimo presente para ele. Fica aí nossa dica de presente, afeto e solidariedade, agora é com você!

 

 

com informações de: Folha de São Paulo

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