Bonitinho mas ordinário, cupcake vai perder espaço em 2011

Bonitinho mas ordinário, cupcake vai perder espaço em 2011

Atualizado: Segunda-feira, 10 Janeiro de 2011 as 10:49

Bigode de chantilly. Farelos no vestido. Guloseima de gordinho. Isso combina com festa de grã-fino?

Cupcakes reinaram, absolutos, em São Paulo em 2010. Dá para entender: são mania em Nova York, cuidadosamente confeitados e colorem as mais impecáveis e atraentes vitrines de quitutes.

Disse Marcelo Coelho, em sua coluna na Folha outro dia: são "expostos como se fossem anéis ou relógios de pulso numa joalheria". É natural que esses bolinhos fofos tenham causado frisson. Mais: são caros. Bem caros.

Mas, vejam, é uma onda que desde que pintou por aqui me fez pensar no quão passageira seria. Então, no início deste ano, saíram as pesquisas, das mais importantes empresas de "trends" norte-americanas, que listam tendências globais da gastronomia. Uma delas, da Califórnia, crava: cupcakes perderão espaço. "Eu sabia", pensei.

Você já foi a uma festa de gente fina? Pois bem, certamente, o que mais impressionaria, logo na entrada, seria a mesa escultural, no centro da sala de pé-direito alto, coberta pelos mais diversos cupcakes, em pratos de três andares dourados e com toda aquela pompa. Então, mais tarde, depois dos canapés e espumantes, depois até do "Parabéns", convidados em torno daquela produção memorável de quitutes... Atacar!

A festa acabou (ou pelo menos acabou o glamour). As mulheres em seus vestidos de tecido finos, de corpos bem torneados e bronzeados, viram-se para a quina das paredes para degustar o minibolo.

Tamanha vergonha de abocanhar aquele bolinho. Tamanha vergonha de comer em público aquele doce de gordinho, que custa mais calorias do que a dieta permite. Tamanha revolta de se ver mordendo aquela guloseima bonitinha, mas ordinária --meio seca, com confeitos de uma sem-gracice sem-fim-- e não ter o que fazer, senão acabar de comer.

Esqueça. O cupcake é uma moda que chegou para passar. Quem sabe 2011 nos mostre isso.

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