Brasileiro confunde esclerose com demência

Brasileiro confunde esclerose com demência

Atualizado: Sexta-feira, 27 Agosto de 2010 as 8:52

Ao parar o carro em uma vaga de deficiente físico no estacionamento do supermercado, a funcionária pública aposentada Roseli Del Sasso, 44 anos, ouviu desaforos de um senhor – ele reclamou pelo fato de, mesmo sendo idoso, ter sido obrigado a estacionar longe da loja. Ela não teve forças para explicar que sofre de esclerose múltipla. E, mesmo se tivesse, é bem possível que o motorista desconfiasse da explicação.

Para 70% dos brasileiros, a doença é uma patologia típica da terceira da idade e está associada às demências - situações que não combinam com uma mulher loira, alta e jovial como Roseli.

O número que mostra o desconhecimento da população perante a esclerose múltipla é a conclusão de uma pesquisa feita pelo Ibope com 1.026 pessoas. Trata-se, na verdade, de uma doença de origem neurológica que atinge adultos jovens, provocando uma progressiva dificuldade de andar, além de falta de equilíbrio e alterações da visão.

O neurologista Rodrigo Barbosa Thomaz, do Centro de Atendimento e Tratamento da Esclerose Múltipla (Catem) da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, diz que "o brasileiro confunde porque popularmente chama as pessoas idosas com demência de esclerosadas".

Segundo Thomaz, a esclerose acomete principalmente indivíduos com idade entre 20 e 40 anos e raramente provoca danos cognitivos. O médico diz que, apesar de não haver uma cura definitiva, o tratamento adequado e a longo prazo pode evitar limitações motoras. Além do físico, o emocional também é abalado - isso é, para Roseli, que convive com a doença desde os 22 anos, a principal angústia.

- O preconceito é absurdo, por isso as pessoas não falam, se fecham e não se cuidam. Elas têm vergonha de assumir.

Por causa da doença, ela já sofreu duas paralisias quase totais no corpo, mas hoje, com tratamento e muita fisioterapia, conseguiu reverter o quadro.

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