Grupo de pesquisa movimenta cursor de computador com a mente

Grupo de pesquisa movimenta cursor de computador com a mente

Atualizado: Quinta-feira, 7 Abril de 2011 as 10:52

Cientistas da Universidade de Washington, nos EUA, conseguiu que seus pacientes movimentassem o cursor do computador com a mente, colocando eletrodos diretamente no cérebro deles para registrar a atividade elétrica.

O estudo, publicado na quarta-feira na revista "Journal of Neural Engineering", indica que a descoberta terá grandes aplicações para as pessoas que perderam a voz devido a uma lesão cerebral ou que têm a mobilidade limitada.

Os cientistas empregaram uma técnica chamada eletrocorticografia (ECoG), utilizada para pesquisar as regiões do cérebro que causam epilepsia.

O processo da ECoG foi aplicado às interfaces cérebro-computador (BCI), com objetivo de ajudar os pacientes com incapacidade de interagir com seu ambiente. O resultado é que se obteve um estímulo no movimento das extremidades.

O médico Todd Kuiken já havia apresentado, na reunião anual da AAAS (Associação Americana para o Avanço das Ciências), realizada em fevereiro em Washington, uma técnica que permite as pessoas controlarem suas próteses apenas pensando na ação que desejam realizar.

No entanto, o novo estudo vai além. O médico Eric Leuthardt e equipe trabalharam com quatro pacientes que sofriam de epilepsia, que tiveram eletrodos implantados no cérebro para vigiar os impulsos aos estímulos aos quais foram submetidos.

Os cientistas deram ao grupo uma lista de palavras relacionadas com as ações que precisavam realizar para movimentar o cursor do computador. Por exemplo, dizer ou pensar na palavra "Ah" movimentaria o cursor para a direita.

Os eletrodos emitiram sinais que foram processados e armazenados em um computador, e os cientistas descobriram que o cérebro pode controlar com mais de 90% de precisão o cursor.

"Este é um dos primeiros exemplos, em um grau muito pequeno, do que se chama de leitura da mente", disse Leuthardt. Ele assinalou que espera que operações futuras sejam feitas em microescala para que os implantes sejam menos invasivos.

Os cientistas esperam poder inserir mais adiante os implantes de forma permanente no cérebro para ajudar a restaurar a funcionalidade dos pacientes incapacitados e, talvez, ler a mente.

"Queremos ver se podemos não apenas detectar quando a pessoa está dizendo cachorro, árvore, ferramenta ou alguma outra palavra, mas também aprender como ler a mente, que é a ideia pura desse conceito", assinalou.

"É emocionante e dá um pouco de medo pensar na leitura da mente, mas existe um potencial incrível para as pessoas que não podem se comunicar", assegurou.    

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