Hospitais receberão menos do SUS por tratamento de câncer no sangue

Hospitais receberão menos do SUS por tratamento de câncer no sangue

Atualizado: Quinta-feira, 6 Janeiro de 2011 as 12:12

A partir dessa semana, hospitais e entidades conveniadas ao SUS (Sistema Único de Saúde) vão receber menos pelo tratamento de pacientes com câncer no sangue (leucemia mieloide crônica, ou LMC) e linfomas malignos.

Duas portarias do Ministério da Saúde, que já entraram em vigor, fixam valores inferiores aos estabelecidos em junho de 2010. No caso da quimioterapia para o tratamento da LMC em fase crônica, o valor caiu de R$ 3.175 para R$ 2.489.

Segundo o ministério, os valores foram reduzidos porque os hospitais passaram, desde o ano passado, a pagar menos pelos remédios usados no tratamento, resultado de um acordo fechado entre a pasta e os laboratórios.

Um exemplo citado é o preço do Glivec, fabricado pelo laboratório Novartis, que caiu pela metade. De janeiro de 2011 a dezembro de 2012, cada comprimido de Glivec sairá por R$ 20,60, contra R$ 42,50 pagos em 2009. O medicamento é usado para tratar aproximadamente 7,5 mil pacientes com LMC e um tipo de câncer gastrointestinal.

O governo federal garante que os pacientes e as instituições não sofrerão prejuízo com a mudança. No entanto, a medida gerou críticas da ABHH (Associação Brasileira de Hematologia e Hemoterapia). Para o presidente da entidade, Carmino de Souza, os novos valores são insuficientes para viabilizar um tratamento adequado aos portadores da doença.

- Esse valor não dá para pagar a quimioterapia. Doentes vão deixar de receber remédios. As instituições não têm condições de arcar.

Par Carmino, as decisões foram tomadas sem ouvir as instituições médica.

- Essas reduções, adotadas na calada da noite, inviabilizam o tratamento adequado aos pacientes.

A associação disse ainda que vem recebendo um “grande número de mensagens de profissionais e clínicas de todo o Brasil com preocupações em relação ao assunto”.

A ABHH solicitou uma audiência ao novo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para pedir a revisão das portarias. A ABHH estima em 4,5 mil os novos casos de LMC por ano no país. A estimativa do Inca (Instituto Nacional de Câncer) é de aproximadamente 12 mil novos casos de linfomas por ano.

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