Obesidade x fertilidade: excesso de peso dificulta a gravidez

Obesidade x fertilidade: excesso de peso dificulta a gravidez

Atualizado: Segunda-feira, 28 Janeiro de 2008 as 12

De acordo com dados apresentados, recentemente, pelo Ministério da Saúde, 43% dos adultos de todas as capitais brasileiras estão acima do peso, sendo que 11% estão obesos. Foi o que constatou o primeiro levantamento de vigilância de fatores de risco à saúde do governo federal. O excesso de peso atinge 47% dos homens e 39% das mulheres. É mais freqüente entre os mais velhos e diminui um pouco com a escolaridade. O excesso de peso salta de 21%, entre jovens de 18 a 24 anos, para 39%, entre adultos de 25 a 34 anos. A obesidade segue a mesma tendência.

Aproximadamente 80% das doenças cardíacas, acidentes vasculares cerebrais (AVCs), diabetes tipo II e 40% dos cânceres poderiam ser evitados com uma dieta saudável, atividade física regular e abolição do tabaco, defende a OMS, Organização Mundial de Saúde. O sobrepeso e a obesidade estão, ainda, associados ao aumento nos custos com assistência médica e ao aumento no índice de faltas ao trabalho, em todo o mundo.

O peso acima do ideal interfere também no ciclo hormonal da mulher e é um fator prejudicial à fertilidade. "Se uma mulher tem gordura corporal em excesso, seu corpo também produz uma maior quantidade de estrógeno e começa a reagir como se estivesse controlando a reprodução, limitando as chances de gravidez", diz o especialista em reprodução humana, Joji Ueno.

Isso vale também para os homens. "O excesso de peso altera as taxas de dois hormônios importantes, reduz o nível de testosterona e aumenta o de estradiol, o que compromete a produção de esperma. Além da obesidade prejudicar o ciclo hormonal masculino, estudos apontam que aqueles com sobrepeso têm maior índice de fragmentação do DNA do espermatozóide, o que pode gerar falha na fertilização", afirma o médico.

Outro lado

Mulheres magras demais também podem apresentar dificuldades para engravidar. À medida em que emagrecem, diminui a quantidade de gordura em seu organismo. Um índice de gordura corporal menor do que 17 inibe a produção de estrógeno e de outros hormônios, o que impede a formação e a liberação de óvulos.

"O peso muito baixo geralmente também está associado a outros problemas que podem afetar a fertilidade, como o hipertireoidismo. Além disso, o endométrio, membrana que reveste o útero, fica menos propenso à gravidez", afirma Joji Ueno, que também coordena o curso de pós-graduação, Especialização em Medicina Reprodutiva, ministrado pelo Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Para calcular o IMC

Uma fórmula simples de calcular o peso ideal é pelo IMC (Índice de Massa Corpórea). Basta dividir o peso (em quilos) pela altura (em metros) ao quadrado. Quem tem IMC abaixo de 20 ou acima de 30 terá sua fertilidade prejudicada - o ideal é ficar entre 20 e 25.

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