Artesanato indígena estará presente no 5º Salão do Turismo

Artesanato indígena estará presente no 5º Salão do Turismo

Atualizado: Segunda-feira, 10 Maio de 2010 as 2:43

Lídia Raposo e seu marido, Terêncio Malaquias, são descendentes da tribo indígena macuxi, da Aldeia Raposo, em Roraima. A aldeia fica na cidade de Normandia, a 175 km da capital, Boa Vista (RR). É na aldeia que o casal busca a matéria prima de seu trabalho: a argila. Eles tratam, secam, peneiram, misturam, modelam e formatam, dando origem a utensílios e peças decorativas: panelas de barro, pratos, bules, cumbucas, cuscuzeiras e farinheiras. Boa parte desse processo poderá ser visto no 5º Salão do Turismo - Roteiros do Brasil, que acontecerá em São Paulo, entre os dias 26 e 30 de maio.

Há mais de seis anos, o trabalho com argila é o principal sustento do casal, que tem cinco filhos. Lídia aprendeu a trabalhar com argila com a avó, na aldeia. "É uma tradição que passa de geração pra geração, de pai pra filho, de avó para neto", disse ela.

Foi a esposa quem ensinou o trabalho para o marido Terêncio. "Nós nos mudamos para a capital, onde ficamos mais perto dos clientes. Mas muitas pessoas na aldeia, principalmente as mulheres, fazem artesanato com argila na aldeia." explica Terêncio.

O casal estará no espaço Saber Fazer do Salão do Turismo, que foi criado para promover a cultura local e a troca de experiências aos roteiros turísticos e seus destinos. O projeto é coordenado e produzido pelo MTur (Ministério do Turismo) por meio da Coordenação de Produção Associada ao Turismo, em parceria com o Programa do Artesanato Brasileiro do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

"O processo é totalmente manual e demorado. As peças precisam ser queimadas no forno à lenha e dependem do clima para ficarem prontas. Se não estiver chovendo, elas demoram três dias para secarem. Mas se o tempo estiver chuvoso, podem demorar semanas", explica Terêncio.

Espaços Saber Fazer e Vivências

"O Saber Fazer tem como objetivo promover a interatividade, o intercâmbio de experiências e o repasse de conhecimentos tradicionais dos modos de fazer artesanato no Brasil", explica a coordenadora-geral da Produção Associada, Ana Cristina Façanha de Albuquerque. "A partir da demonstração das técnicas e dos processos produtivos mais expressivos da cultura local, os visitantes do Salão do Turismo vão poder conhecer de perto como é produzido o artesanato de tradição de mestres e artesãos com renome internacional", disse ela.

No espaço Vivências pequenas oficinas serão oferecidas, nas quais o público poderá vivenciar a experiência de produzir uma peça com os artesãos.

Na última edição do Salão do Turismo, foram comercializados quase 5 mil produtos artesanais típicos.

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