Belezas naturais fazem do Atacama, extensa área desértica no Chile, um oásis impressionante

Belezas naturais fazem do Atacama, extensa área desértica no Chile, um oásis impressionante

Atualizado: Sexta-feira, 6 Agosto de 2010 as 10:29

O norte do Chile é realmente um   lugar de extremos . É a região mais árida do planeta, possui o deserto de maior altitude localizado a 2.440 metros, as águas das chuvas não passam de 35 milímetros por ano, e seu solo impermeável lhe garante um aspecto comparado ao de Marte.

Esse é o Atacama, uma extensa área   desértica   entre as águas frias do Pacífico e as monumentais cordilheiras dos Andes, onde o viajante que busca experiências singulares encontra refúgio sem ter que abrir mão de serviços básicos para a sobrevivência no deserto.

Esse esconderijo se chama São Pedro de Atacama,capital arqueológica   do país e pequeno povoado que serve como base para a exploração da região. Esta cidade, que ainda guarda costumes dos povos pré-incaicos que deixaram marcas profundas em seu território, era há 15 anos apenas uma localidade escondida do norte do país que mal recebia visitantes estrangeiros. Hoje, a marca "Atacama" é um produto chileno consolidado no mercado turístico internacional ao lado de Torres del Paine e Ilha de Páscoa.

Mesmo com tanta fama, a cidade ainda preserva seu ritmo particular que permite ao visitante um passeio, a passos lentos, por suas ruas estreitas de terra e casas de adobe com telhados de palha. Oclima pacato   só é quebrado por alguma festa típica do povoado, como o desfile de Santa Rosa em agosto, ou pelas músicas folclóricas tocadas nas   peñas   da Caracoles, a principal via de circulação. Turistas de todo o mundo são disputados pelos restaurantes, bares e lojas dessa rua exclusiva de pedestres.

Aliás, o Atacama, que na língua cunza significa   "cabeceira do país" , é marcado historicamente por disputas e dominações anteriores à chegada dos espanhóis. No ano 400 d.C., a sociedade tiwanaku, proveniente do território onde hoje se encontra a Bolívia, impõe-se hierarquicamente sobre o povo atacamenho. O período seguinte (entre os anos 900 e 1450) foi marcado pelo rompimento com aquela civilização e, conseqüentemente, pelos novos conflitos sociais internos. Foi nesse contexto que o Estado inca expandiu-se e dominou a região do Atacama até que fosse dizimado com a chegada dos europeus, em 1535.  

Depois de um parêntese histórico de tantos anos, e com o corpo devidamente aclimatado às altitudes, é hora de explorar o Atacama. Há três formas de se conhecer a região: a tradicional, em que as agências oferecem o mais básico do Atacama como os Vales da Lua e da Morte, além dos gêiseres de El Tatio; o   roteiro   alternativo, em que as margens do deserto ganham novas dimensões em rotas pouco divulgadas com visitas a petroglifos, povoados de um só habitante e cânions em vales multicoloridos; e a terceira opção, que alia, na medida certa, um pouco de cada um dos dois roteiros anteriores.

Seja qual for a sua escolha, uma imagem será inevitável durante os dias em que estiver sobre solos atacamenhos: o   Licancabur , o imponente vulcão cônico de 5.916 metros de altura que separa o Chile e a Bolívia. Quanto mais longe se vai, mais se vê esse vulcão onipresente entre os recortes das rochas gigantes que cercam a região.

A imponente montanha é local sagrado desde épocas anteriores à chegada dos colonizadores, quando ali se realizavam sacrifícios com animais. A prática foi proibida pelos espanhóis, mas o vulcão continua atraindo   aventureiros   até a lagoa que se localiza no seu cume, além de devotos que uma vez ao ano levam oferendas à Pacha Mama pelo que se conquistou naquele período.

É certo que a   escalada   de oito horas se dá pela Bolívia devido ao terreno ainda minado da época em que o Chile e a Argentina disputavam terras, mas para o Licancabur não existe fronteiras nem guerras. Por isso, ele segue soberano guardando a região. E ainda dizem que o oásis é pura ilusão. Não no deserto do Atacama.

O clima no Atacama, como em qualquer outra região desértica, é marcado por uma considerávelmudança térmica : altas temperaturas durante o dia com quedas bruscas à noite. Chuva? Nem se dê ao trabalho de colocar capa na bagagem. A máxima anual de chuva na cidade foi de 50 mm. As raras gotas de água que caem sobre a região são mais comuns durante o 'inverno altiplânico', entre os meses de janeiro e março. Durante o inverno, as temperaturas variam de 22°C, durante o dia, a 4ºC, pela noite. Em algumas regiões do Atacama, como o Tatio, a temperaturas pela manhã podem chegar a 18°C negativos. No verão os termômetros costumam marcar até 27°C, durante o dia, e 16°C, pela noite. A época da primavera é conhecida pelos fortes ventos, que chegam a quase 100 km por hora.   INFORMAÇÕES E SERVIÇO

Site de turismo do país   -   www.sernatur.cl  

Site do país   -   www.gobiernodechile.cl  

Site de São Pedro   -   www.sanpedroatacama.com

Informações turísticas em São Pedro   - Rua Toconao, esquina com Gustavo le Paige, tel. 56 (55) 851420.   [email protected]  

Fuso horário   - uma hora menos em relação a Brasília

DDI   - 56 (Chile)

Código de acesso de San Pedro   - 55 (deve-se discar o prefixo 09 em ligações para celular)

Moeda   - peso chileno

Cotação   - Veja quanto está valendo o peso chileno em   economia.uol.com.br/cotacoes/ .

Internet   - A conexão não é das mais rápidas, mas o centro da cidade é bem servido com várias opções de serviço e preços.

Gorjetas   - Diferente do Brasil, a taxa de serviço não está incluída na conta. Geralmente, deixa-se 10% do valor total da conta.

"Mal de Puna"   - É o mal-estar típico que costuma afetar os que não estão acostumados a cidades mais altas. Por isso, procure não fazer passeios no primeiro dia em São Pedro, evite esforços físicos e bebidas alcoólicas e beba muita água.

Visto e documentos   - Brasileiros não precisam de visto nem passaporte para permanência por até 90 dias. O RG serve como identificação na alfândega chilena.    

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