Galápagos é destino para quem busca verdadeiro contato com a natureza

Galápagos é destino para quem busca verdadeiro contato com a natureza

Atualizado: Quinta-feira, 24 Fevereiro de 2011 as 2:50

Assim que o banhista deixa as águas furiosas da praia Brava, uma imensa iguana negra, despreocupada, volta do almoço e ainda posa, imóvel, para as câmeras de alguns raros visitantes. Da rocha ao lado, um pelicano mergulha afobado, pela centésima vez, para tentar pescar algum peixe aprisionado nas piscinas naturais formadas pela maré baixa. No calçadão da ilha vizinha, em pleno porto de San Cristóbal, imensos leões marinhos mal percebem o desembarque confuso de malas e turistas estrangeiros.

O arquipélago de Galápagos, conjunto de ilhas vulcânicas a 1.000 km do continente, tem paisagens naturais para viajante (e cientista) nenhum botar defeito: areias brancas banhadas pelo Pacífico, vulcões ainda em atividade, extensas áreas verdes com flora endêmica e uma exclusiva área marinha com 133 mil km², considerada a segunda maior Reserva Marinha do mundo.

No entanto, nesse selvagem cenário equatoriano, considerado um dos arquipélagos oceânicos mais complexos do planeta, o maior e melhor atrativo da região ainda é a vida animal e seu sensível ecossistema.

Embora tenha sido descoberta em 1532, essa região formada por mais de 50 ilhas e ilhotes só começou de fato a ser colonizada três séculos mais tarde, o que garantiu a seus ilustres e exclusivos habitantes (os animais, claro) a preservação de uma biodiversidade original e intocável durante anos.

O resultado é uma maior tolerância à aproximação humana que, associada à formação vulcânica das ilhas e ao encontro de correntes de águas quentes e frias vindas dos extremos do planeta, é responsável por um emocionante espetáculo da natureza que inclui espécies raras como as tartarugas gigantes centenárias da Ilha Santa Cruz, iguanas marinhas únicas em todo o mundo, simpáticos gansos patolas de patas azuis e desengonçados leões marinhos que cruzam, sem pressa, o caminho de visitantes.

São tantos estímulos para os sentidos que o mais ilustre dos visitantes (esse, sim, humano) não poderia deixar passar em branco sua visita a esse gigantesco laboratório ao ar livre com 8 mil km² de terra firme. Quando Charles Darwin partiu daquele território inóspito, em 1835, levava na bagagem experiências suficientes para sustentar a mais polêmica das teorias científicas dos séculos seguintes, a Teoria da Evolução, cujos 150 anos de sua publicação são comemorados em 2009.

Os dias naquelas ilhas quase desabitadas e desconhecidas foram de intensos trabalhos de coleta de dados e, cinco semanas mais tarde, o jovem cientista inglês trazia nas malas argumentos suficientes para fazer o mundo refletir sobre a ideia de que a raça humana não é superior e que todos os animais são resultado de adaptações ao meio ambiente e mudanças genéticas passadas de geração em geração.

Declarado Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, pela Unesco, o arquipélago de Galápagos é formado por 13 ilhas maiores, seis pequenas e outras dezenas de ilhotes e rochas que abrigam, cada uma, um habitat com características únicas, cujas espécies animais são encontradas apenas naquele pedaço de terra.

Ainda assim, apenas 3% de seu território são habitados. Santa Cruz, principal ilha de Galápagos, São Cristóbal, Isabela, Floreana e Baltra são as únicas com desembarque e permanência permitidos para visitantes, cenários suficientes para compreender por que Darwin e todos os outros investigadores da expedição HMS Beagle deixaram aquele terreno vulcânico carregados de questionamentos.

Por isso, se a sua estadia for inferior a uma semana, é melhor rever a programação. Ou você acredita que um arquipélago com mais de cinco milhões de anos com sete mil animais catalogados merece uma visitinha rápida?

Aliás, se a ideia for lagartear sob sol forte em praias de areia branca, o destino também deve ser repensado. Que nos perdoem os simpáticos e receptivos ilhéus, mas a vida animal e o entorno exclusivo de Galápagos, em que o endemismo faz parte de 75% das plantas e 25% dos organismos marinhos, ainda são o principal motivo que atrai os 170 mil turistas que, anualmente, visitam a região.

INFORMAÇÕES E SERVIÇO

Site do país - www.presidencia.gov.ec

Sites de turismo do país - www.ecuador.travel / www.turismo.gov.ec

Site da Câmara de Turismo de Galápagos - www.galapagostour.org

Site da Câmara de Turismo de San Cristóbal - www.caturcrist.com

Site do Parque Nacional de Galápagos - www.galapagospark.org

Site do Instituto Nacional de Galápagos - www.ingala.gov.ec

Informações Turísticas

Em Santa Cruz - Câmara de Turismo

Av, Charles Darwin (ao lado da TAME)

Tel: (593) (05) 2526-206

De seg. a sex. das 7h às 12h e das 14h às 17h30

www.galapagostour.org

Em San Cristóbal - Câmara de Turismo

Rua Ignacio de Hernández e Av. 12 de febrero - Puerto Baquerizo Moreno

Tel: (593) (05) 2520-592

De seg. a sex. das 8h às 12h e das 14h às 17h

www.caturcrist.com / [email protected]

Departamento de Turismo y Cultura de San Cristóbal

Av. Charles Darwin esquina com av. 12 de Febrero

Tel: (593) (05) 2520-496 (ramal 120)

Diariamente das 7h30 às 12h30 e das 14h às 17h

Em Isabela

O departamento de turismo da ilha funciona, temporariamente, nas instalações do Hotel Las Gardenias.

Rua Escalecia esquina com Tero Real

Tel: (593) (05) 2529-115

DDI - (593) Equador

Código de acesso da ilha - (05) ou apenas (5) para ligações do exterior

Moeda - A moeda local é o dólar norte-americano.

Cotação - Para saber a cotação do dólar norte-americano, acesse economia.uol.com.br/cotacoes/.

Fuso horário - O arquipélago está uma hora a menos do horário 'lá de fora', como dizem os locais para referir-se ao continente. Com relação a Brasília, Galápagos está a menos três horas.

Gorjetas - A maioria dos restaurantes não incluem a taxa de serviço dos garçons.

Visto e documentos - Brasileiros devem desembarcar no país portando passaporte com validade mínima de seis meses e carteira de vacinação.

Taxas - A taxa de acesso ao Parque Nacional Galápagos, obrigatória para todos os que visitam as ilhas, custa US$ 100, mas brasileiros pagam apenas US$ 50, devido aos acordos estabelecidos entre o Equador e os países membros do Mercosul. O valor deve ser pago, em dinheiro, logo no desembarque nos aeroportos de Galápagos. O visitante também deve pagar US$ 10 nos aeroportos de Quito ou Guayaquil referente à TCT (Tarjeta de Control de Tránsito).

Clima - O arquipélago recebe visitantes durante todo o ano, de acordo com o interesse. De dezembro a maio, a corrente do Panamá aquece as águas de Galápagos, o céu costuma ficar sem nuvens, mas com a incidência de temperaturas mais altas e fortes chuvas. É o período exato para banhos de mar esverdeado, prática de mergulho e com as melhores ondas para surfar. No entanto, a melhor época para avistar a fauna exótica vai de junho a novembro que, estimulada pela abundância de animais disponíveis nas águas frias, costuma dar as caras com maior frequência. A corrente de água fria de Humboldt, misturada ao ar quente, provoca as famosas garoas da região, mas nada que possa interromper os passeios. Nesse período, o mar se encontra mais agitado e as noites são mais frias.

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