
Alexandre Grego é Pastor, Bacharel em Teologia, Life Coaching, e escritor dos livros “Somos Flechas”, “E Urias?” e “Não existe família perfeita, existe família feliz”. Também é conferencista nas áreas de liderança e casais. Exerce sua atividade pastoral n

Por muito tempo desejei ser pai. Porém, devido às impossibilidades naturais de uma gestação, o Senhor preparou para nós uma gestação "atípica", mas profundamente linda.
Nossa gestação aconteceu primeiro no coração. Foi ali que Deus começou a escrever essa história e preparou nossa filha para nós.
De uma forma única e extraordinária, Deus me fez pai. Desde então, tem me ensinado, dia após dia, o quanto é maravilhoso cuidar de alguém que Ele mesmo preparou para nossa família.
Como sempre dizemos, nossa filha não foi feita por nós; ela foi feita para nós.
Certa vez, perguntaram-me como era o amor de um pai do coração.
Minha resposta foi simples:
"Não sei como é o amor de um pai biológico. Mas o amor de um pai do coração é um amor que dói de tão grande, um amor que parece não caber dentro do peito. Ao mesmo tempo, é um amor repleto de gratidão, porque o Senhor enxergou em nós a capacidade de cuidar, proteger e amar uma criança gerada por Ele e confiada aos nossos braços."
Ao longo da caminhada da paternidade, Deus tem me ensinado muitas lições. Gostaria de compartilhar quatro delas.
1. O pai é a primeira referência que um filho tem de Deus
Desde a mais tenra idade, antes mesmo de uma criança conhecer Deus ou chamá-Lo de Pai, ela buscará dentro de casa sua primeira referência de paternidade.
Quando uma criança cresce em um lar saudável, onde a figura paterna transmite amor, segurança e cuidado, torna-se mais fácil compreender quem Deus é.
Por outro lado, quando cresce em um ambiente disfuncional, onde a figura paterna é distorcida ou ausente, poderá enfrentar grandes dificuldades para se relacionar com Deus como Pai.
A paternidade vai muito além de prover sustento. Ela revela, ainda que de forma imperfeita, o caráter do Pai celestial.
2. O pai é um Balizador
Todas as fases da infância são importantes e merecem atenção, cuidado e presença.
Uma relação baseada apenas em regras e cobranças torna o ambiente pesado. Nesse contexto, os filhos passam a obedecer por obrigação, e não por amor.
Os pais não foram chamados para controlar o destino dos filhos, mas para apontar o propósito de Deus para suas vidas.
Ser pai é caminhar ao lado, orientar, aconselhar e permanecer presente, mesmo quando os filhos começam a fazer suas próprias escolhas.
Nunca deixe de ser essa voz de sabedoria.
3. Antes de deixar uma herança, construa um legado
Muitos pais passam a vida inteira construindo patrimônio para oferecer conforto aos filhos.
Isso é importante.
Mas presença vale mais do que presentes.
Existe uma frase que gosto muito:
"Herança é o que você deixa para os seus filhos. Legado é o que você deixa dentro deles."
Legado é aquilo que dinheiro nenhum compra: fé, caráter, valores, princípios, amor e exemplo.
Os bens podem acabar.
O legado permanece.
4. A voz de um pai muda conforme as estações da vida
Quando os filhos são pequenos, eles precisam da voz imperativa do pai.
É a voz que protege, estabelece limites e conduz.
Com o amadurecimento, essa voz deixa de ser apenas imperativa e passa a ser diretiva.
O pai continua presente, mas agora orienta mais do que ordena.
Discernir essa mudança evita conflitos e fortalece o relacionamento.
Em um mundo cheio de vozes disputando diariamente o coração dos nossos filhos, precisamos continuar sendo a voz principal dentro de casa.
A voz da verdade.
A voz da esperança.
A voz do amor.
Conclusão
Sou profundamente grato a Deus pela bênção de amar, cuidar, proteger e chamar minha filha de filha.
Todos os dias lembro que a paternidade não nasceu do sangue, mas do propósito de Deus.
Ela não foi um acaso, foi uma promessa, foi um presente do céu.
Se Deus lhe concedeu o privilégio de ser pai, seja grato.
Ame intensamente.
Esteja presente.
Construa memórias.
Deixe um legado.
Porque, no final da vida, seus filhos talvez não se lembrem de tudo o que você lhes deu.
Mas jamais esquecerão a maneira como você os fez sentir.
Alexandre Grego (@pralexandregrego) é Pastor, Bacharel em Teologia, Life Coaching, e escritor dos livros “Somos Flechas”, “E Urias?” e “Não existe família perfeita, existe família feliz”. Também é conferencista nas áreas de liderança e casais. Exerce sua atividade pastoral no Ministério Apostólico Koinonia, na cidade de Mogi das Cruzes/SP, é casado com a Pra. Marines Grego.
* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
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