
Pastor auxiliar da Assembleia de Deus Ministério Cidade Santa no RJ. Bacharel pela Fateos. Pós-graduação em Ciência das Religiões. Mestrado em Teologia Sistemática pela Fateos. Professor de Teologia, escritor e consultor teológico. Autor de “Panorama da T

O bullying não é apenas um problema restrito às escolas ou às redes sociais. Ele expõe algo mais profundo: uma crise de valores e, sobretudo, uma distorção na forma como percebemos o outro.
Vivemos em um tempo em que humilhar, excluir e ridicularizar alguém por sua crença, cor ou qualquer outro aspecto identitário tornou‑se comum – e, em muitos casos, até normalizado. Diante desse cenário, surge uma pergunta necessária: a mensagem pentecostal tem algo a dizer sobre o bullying.
A resposta é sim. Mas ela precisa ser vivida, não apenas pregada.
A raiz do problema não é apenas social; é também espiritual. A Bíblia afirma que todo ser humano foi criado à imagem de Deus (Gn 1.26–27).
Quando essa verdade é esquecida, o outro deixa de ser visto como alguém digno e passa a ser tratado como objeto de desprezo. É exatamente aí que o bullying nasce.
O pentecostalismo, com sua ênfase na atuação do Espírito Santo, apresenta uma contribuição poderosa nesse cenário. Isso porque o Espírito não apenas distribui dons ao Corpo de Cristo (1Co 12.7), mas também capacita seus membros a utilizá‑los para a edificação. O mesmo Espírito Santo que concede essas experiências espirituais é aquele que também transforma o caráter da pessoa.
E o caráter transformado aparece de forma prática. O apóstolo Paulo descreve isso ao falar do fruto do Espírito (Gl 5.22–23): amor, bondade, mansidão e domínio próprio. Esses elementos são, na prática, o oposto do bullying.
Mas aqui cabe uma reflexão necessária: a igreja precisa olhar para dentro. Não são poucas as vezes em que ambientes cristãos reproduzem exclusão, rótulos e até mesmo formas sutis de humilhação. Quando isso acontece, a mensagem perde força. O discurso permanece, mas a prática contradiz o Evangelho.
Não se combate o bullying apenas com palavras.
Por outro lado, quando a igreja vive de forma coerente, ela se torna um ambiente de cura. A comunidade cristã pode – e deve – ser um lugar onde pessoas feridas encontram acolhimento, onde identidades são restauradas e onde relacionamentos são reconstruídos.
Mais do que isso: a igreja também é um espaço de transformação. Aqueles que praticam o bullying precisam ser confrontados, ensinados e conduzidos a uma mudança real de vida.
E aqui o papel do Espírito Santo é central. Ele convence do pecado, gera sensibilidade e transforma o coração. Quem é alcançado por essa graça não encontra mais prazer em ferir o outro, mas aprende a cuidar, acolher e respeitar.
Combater o bullying não é uma pauta secundária para a igreja. Faz parte da missão cristã. Jesus revelou um Reino onde os rejeitados são acolhidos, os feridos são restaurados e a dignidade humana é reafirmada.
Se a igreja pentecostal deseja ser fiel ao Evangelho, precisa ir além da retórica. É necessário ensinar, orientar, corrigir e, acima de tudo, viver aquilo que se prega.
A mensagem pentecostal tem, sim, força para enfrentar o bullying.
Mas essa força não está apenas no púlpito.
Ela aparece, de fato, na forma como tratamos uns aos outros.
No fim das contas, a pergunta não é se a igreja tem uma resposta.
A pergunta é: estamos dispostos a viver essa resposta?
Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio. Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
Leia o artigo anterior: Entre o medo e a esperança: O poder do Espírito Santo na escatologia
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