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Com a vida à flor-da-pele

Com a vida à flor-da-pele

Atualizado: Segunda-feira, 19 Setembro de 2011 as 4:17

Estou inebriado de beleza, esmagado pelo esplendor.

Sem mais nem menos, sinto-me batizado por uma Presença. Tudo me encanta, tudo me seduz. Passo a gostar de pequenos gestos, relembrar momentos fugidios que perduraram em minha retina e me deram enorme alegria. Em mim, ressuscitam olhares, toques e sílabas soltas que marcaram a minha alma.

Sei que esta presença estranha que me possui é o Espírito. Ele abre um estojo de jóias, que é a saudade, para ressuscitar tudo o que já me fez sorrir.

Estou convencido de que só percebo a sombra de Deus, mas ela é formosa como a asa de uma graúna, gentil como o sorriso de uma criança e forte como o olhar do ancião.

O Vento sopra e, de repente, tudo me fascina. A genialidade poética do Chico Buarque e a doçura do Henry Nouwen se somam à erudição de autores que leio e fico com um impulso de correr, saltar.

Meus olhos se enchem de azul, meu coração acolhe tudo o que vem da negritude. Minha pele se cobre com o rubro da sensualidade. Sinto-me vivo.

Percebo o abraço divino e tudo me arrebata, tudo me endoidece. Vejo-me encharcado de eternidade, assombrado pela vastidão sideral, atraído pelo infinito, desejoso pelo devir. Tenho o olhar absorto no horizonte improvável.

O Espírito vem e tenho anseio de ficar só numa catedral vazia. Sua presença me conduz a trilhas bucólicas. Guardo a sensação de que este companheiro, aquele que faz arder corações, me acompanha.

O Espírito me reveste de amor pela vida. Desfaço os nós da discórdia, quebro as lógicas do ódio e me inundo de bondade. Ganho o ímpeto de gritar: sou de um Reino onde justiça, paz e alegria bailam juntos.

Por algum motivo, no êxtase do sagrado, perfumo a casa com velas aromáticas, leio Pessoa e escuto Bach. Lembro de quem perdi e acalento os que me são caros. O Espírito me deixa com a alma à flor-da-pele.  Sinto a vida em estado puro.

Ricardo Gondim   é pastor da Igreja Betesda de São Paulo e presidente da Convenção Nacional da denominação. Presidente do Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos. Gondim é casado com Silvia Geruza Rodrigues, pai de três filhos - Carolina, 29; Cynthia, 27; e Pedro, 19 - e avô de Gabriela, Felipe e Felipe Naran. Nascido em 1954, em Fortaleza, Ceará, é formado em Administração de Empresas. Viveu nos Estados Unidos onde obteve formação teológica no Gênesis Training Center em Santa Rosa, Califórnia.

Ministra palestras e conferências. É colunista das revistas evangélicas ''Ultimato'' e ''Enfoque Gospel''. Como escritor, Gondim é autor de livros como ''O Evangelho da Nova Era'', ''Santos em Guerra'', ''Saduceus e Fariseus'', ''Creia na Possibilidade da Vitória'', ''É Proibido'' - obra indicada ao prêmio Jabuti, de literatura brasileira -, ''Artesão de uma Nova História'', ''Como vencer a Inconstância'', ''A presença imperceptível de Deus'', ''Do Púlpito 5'', ''O que os evangélicos (não) falam'', ''Creio, mas tenho dúvidas'', e ''Sem perder a Alma'', o mais recente.

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