
Após anos chamando a atenção do mundo científico por conseguir reviver uma tamareira judaica a partir de sementes de cerca de 2.000 anos, pesquisadores em Israel conseguiram fazer a árvore voltar a produzir frutos.
A novidade representou um avanço histórico no projeto iniciado com a germinação da famosa tamareira “Matusalém”, cultivada a partir de uma semente encontrada nas escavações arqueológicas de Masada, em Israel.
Na época, a descoberta ganhou repercussão mundial por trazer de volta uma variedade agrícola mencionada em registros antigos e associada ao período bíblico.
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Entretanto, “Matusalém” era uma árvore masculina e, sozinha, não poderia produzir tâmaras.
Nos anos seguintes, cientistas conseguiram germinar outras sementes antigas da mesma linhagem, incluindo árvores femininas.
Com isso, os pesquisadores utilizaram o pólen de “Matusalém” para realizar a polinização.
Esta semana, a Embaixada de Israel nos EUA publicou uma mensagem celebrando o avanço científico e a colheita dos primeiros frutos da antiga tamareira da Judeia:
“Há alguns anos, cientistas em Israel conseguiram reviver com sucesso uma tamareira judaica extinta a partir de uma semente de 2.000 anos descoberta em Masada – trazendo de volta uma variedade bíblica que estava extinta há mais de mil anos.”
Did you know?
— Embassy of Israel to the USA (@IsraelinUSA) May 9, 2026
A few years ago, scientists in Israel successfully revived an extinct Judean date tree from a 2,000-year-old seed discovered at Masada—bringing back a biblical variety that had been extinct for more than a thousand years.
Later, another ancient seed from the… pic.twitter.com/yJ2erRRnm4
“Pela primeira vez em milhares de anos, somos capazes de comer tâmaras judaicas novamente”, escreveu no perfil oficial do X.
Longevidade bíblica
Conforme noticiado pelo Guiame em 2021, árvore recebeu o nome de “Matusalém”, em referência ao personagem bíblico conhecido por sua longevidade.
A semente, preservada por séculos no clima seco da região, foi descoberta durante escavações arqueológicas realizadas na década de 1960 na antiga fortaleza de Masada, um dos sítios históricos mais emblemáticos de Israel.
Os pesquisadores conseguiram germinar a semente em 2005 após um processo cuidadoso de hidratação, tratamento orgânico e cultivo em laboratório.
Posteriormente, exames de carbono-14 confirmaram que a semente datava do período do Segundo Templo, época próxima ao tempo de Jesus.
Tamareiras da Judeia
A árvore feminina que deu origem às tâmaras recebeu o nome de “Hannah”. Segundo os pesquisadores, os frutos pertencem à antiga linhagem das tamareiras da Judeia, famosas na Antiguidade por sua doçura, valor comercial e possíveis propriedades medicinais.
O projeto é conduzido pelo Instituto Arava de Estudos Ambientais, em Israel. As sementes originais foram descobertas em regiões desérticas onde o clima seco ajudou a preservar o material por cerca de dois milênios.
Além do impacto científico, a descoberta também despertou interesse histórico e bíblico.
As tamareiras aparecem diversas vezes nas Escrituras como símbolo de prosperidade, bênção e vida abundante. No passado, a tamareira da Judeia era considerada uma das culturas agrícolas mais valiosas da região.
Os cientistas agora analisam os frutos para estudar suas propriedades nutricionais, genéticas e medicinais.
A expectativa é compreender melhor como eram os alimentos consumidos no antigo Israel e recuperar características perdidas ao longo dos séculos.
A recuperação dos frutos também é vista como um feito raro da arqueobotânica – área científica que estuda plantas antigas a partir de sementes e vestígios arqueológicos preservados.
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