Cristãos mostram fé diante de perseguição após igreja ser fechada na China

Membros da igreja agradecem a Deus pelos 10 anos que puderam se reunir para adorar, apesar da imensa perseguição.

fonte: Guiame, com informações da China Aid

Atualizado: Quarta-feira, 3 Julho de 2019 as 9:52

Cristãos chineses se reúnem para oração e adoração a Deus. (Foto: Reprodução/Reuters)
Cristãos chineses se reúnem para oração e adoração a Deus. (Foto: Reprodução/Reuters)

A igreja Xiamen tem sido um refúgio para fiéis chineses. Localizado na vila de Dianqian, o edifício está situado em um belo e elegante pátio de estilo Minnan com um século de história.

Mas o dia a dia da congregação e dos pastores têm sido como nas demais igrejas cristãs da China, que sofrem assédios constantes e perseguição para que deixem de existir.

No dia em que as autoridades fecharam a igreja, os fiéis comeram juntos, oraram um pelo outro, leram a Bíblia como uma comunidade e oraram para espalhar o Evangelho na vila de Dianqian.

Muitos cristãos novos têm chegado à Igreja Xiamen para se estabelecer em um lar espiritual, relata o China Aid.

Segundo a liderança da igreja, o governo há muito tempo está de olho na igreja. Alguns foram obrigados a falar com a polícia e outros com outros oficiais do governo.

O assédio contra a igreja Xiamen começou a aumentar. No início de maio, membros do corpo de bombeiros foram à propriedade da igreja várias vezes. De acordo com a liderança da Igreja, todos os pedidos de instalação de equipamentos de proteção contra incêndio foram atendidos.

Em 24 de maio, um grupo de oficiais exigiu que a igreja fosse fechada. A liderança da igreja disse que as autoridades não seguiram os procedimentos de aplicação da lei, por isso eles se recusaram a ouvi-los.

Um oficial chegou a ameaçar severamente os pastores se o local de adoração permanecesse aberto.

As tensões aumentaram em 29 de maio depois que as autoridades se reuniram com pastor da igreja. Elas alegaram na reunião que a igreja era velha e deveria ser fechada, se a avaliação por outros órgãos chegasse à mesma conclusão.

No início de junho, a liderança da igreja recebeu um “lembrete amigável” dos oficiais com a avaliação de que a propriedade era decrépita. O documento não era legítimo e válido, segundo os líderes da igreja.

Quando as autoridades alegaram que "avaliaram" a propriedade, a igreja perguntou como as autoridades poderiam fazer tal reivindicação sem visitar o prédio. Autoridades disseram que ninguém estava por perto quando eles estiveram no local.

A liderança da igreja questionou como uma inspeção poderia ocorrer sem permissão e sem pessoas ligadas à igreja por perto para deixarem que os funcionários entrassem.

Até agora, de acordo com os pastores, qualquer relatório de avaliação foi disponibilizado para a liderança da igreja.

Ultimato

Em 7 de junho outra abordagem foi feita pelos funcionários do regime comunista. Funcionários do Departamento de Assuntos Civis do Distrito de Huli, o escritório de assuntos religiosos, do departamento de polícia e de outros grupos se uniram para dar um ultimato à igreja.

O grupo citou várias leis e regulamentos para concluir que os eventos religiosos deveriam cessar no prédio da Igreja Dianqian. As autoridades afirmaram que a atividade consiste em comunhão e pregação ilegais.

A data de 20 de junho foi marcada para a paralização das atividades da igreja. O prazo chegou sem qualquer evidência ou documentos oficiais que justificassem a legalidade do pedido, segundo a liderança da igreja.

Dois dias depois, durante o culto de domingo, funcionários do governo invadiram a igreja sem documentos. Eles entraram e quebraram a privacidade dos fiéis, tirando inúmeras fotos, segundo relatos do China Aid.

Alguns oficiais ficaram do lado de fora da Igreja Dianqian até que o pregador terminasse o sermão.

Pressão

Um dos filhos do proprietário do prédio procurou a liderança da igreja no dia 11 de junho para avisar que a comunhão na igreja deveria parar. Um líder da igreja pediu um mês para sair do local. Mesmo sem concordar com o prazo, o homem disse que discutiria a ideia com seus irmãos.

Um líder da igreja foi convocado a participar de uma reunião agendada com vários funcionários do governo. Durante a discussão, outros funcionários se encontraram com alguns membros da família do proprietário do prédio.

Após a reunião, um dos filhos do proprietário disse aos pastores que as reuniões e cultos da igreja devem parar imediatamente.

As autoridades visitaram novamente a igreja no dia 12 de junho para tirar fotos e registrar todos os bens da congregação.

De acordo com os pastores, a igreja foi forçada a parar de adorar no edifício a partir de 11 de junho. O proprietário não estava disposto a deixar a Igreja Dianqian usar o local devido as ameaças feitas pelas autoridades chinesas locais.

Os membros da igreja são gratos que Deus lhes deu 10 anos na igreja para adorar, apesar da imensa perseguição.

Embora os congregantes não possam mais se encontrar no prédio, eles se recusam a deixar de adorar a Deus.

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