Indígenas se rendem a Jesus em 1ª conferência de mulheres ribeirinhas do Amazonas

Ação da missão On Fire reuniu cerca de 40 mulheres da tribo Ticuna e levou ministrações sobre cura e fé cristã durante aos ribeirinhos do Amazonas.

Fonte: Guiame, Adriana BernardoAtualizado: terça-feira, 26 de maio de 2026 às 15:53
Missionárias da caravana On Fire ministram para mulheres indígenas e ribeirinhas durante encontro realizado na tribo Ticuna, no Amazonas. (Foto: Arquivo pessoal)
Missionárias da caravana On Fire ministram para mulheres indígenas e ribeirinhas durante encontro realizado na tribo Ticuna, no Amazonas. (Foto: Arquivo pessoal)

A missão On Fire realizou sua primeira conferência voltada exclusivamente para mulheres indígenas e ribeirinhas do Amazonas durante uma ação missionária promovida na tribo Ticuna, na região amazônica.

O encontro reuniu cerca de 40 mulheres para ministrações sobre cura emocional, abuso, restauração espiritual e fé cristã.

Segundo a pastora Meire Dantas, integrante da equipe missionária, a iniciativa surgiu após a líder da missão, pastora Elisandra, perceber a necessidade de ampliar o trabalho realizado com as famílias ribeirinhas.

“Não adianta tratar a criança, conscientizar a criança e não trabalhar também com a mãe, porque muitas vezes ela já sofreu abuso ou ainda sofre”, explicou.

Abuso e sofrimento emocional

A pastora Elisandra afirmou que a decisão nasceu após a equipe identificar situações recorrentes de abuso e sofrimento emocional em diversas comunidades indígenas e ribeirinhas atendidas pela missão.

“Percebemos essa realidade difícil de muitas crianças e adolescentes passarem por situação de abuso sexual. Hoje temos adultos que vivem as mazelas dessa tristeza e da depressão por conta do que sofreram”, declarou.

Segundo ela, em algumas comunidades o silêncio diante dos abusos acaba sendo naturalizado culturalmente. “Às vezes o próprio pai, irmão ou outro familiar pratica o abuso, e as mulheres ficam caladas por medo de represália”, afirmou.

A missão On Fire atua há 10 anos. Durante seis anos, o trabalho foi desenvolvido na região urbana de Manaus, especialmente com crianças em situação de vulnerabilidade.

Há quatro anos, porém, a missão passou a atuar junto aos ribeirinhos após, segundo os missionários, uma direção de Deus para alcançar comunidades isoladas.

Elisandra explicou que a equipe entendeu que muitas comunidades indígenas só poderiam ser alcançadas inicialmente por meio da ação social.

“O nosso projeto primordial é implantar o Evangelho de Jesus e fazer com que as pessoas conheçam a Palavra de Deus. Então começamos a entrar nessas comunidades por meio da ação social, do musical com as crianças e do cuidado com as famílias”, relatou.

Atendimento infantil

Nos últimos anos, o foco principal das ações era o atendimento infantil. Cerca de 500 crianças recebem apoio durante as viagens missionárias, incluindo alimentação, brinquedos, produtos de higiene corporal e bucal, além de atividades como teatro, danças e ministrações de conscientização sobre abusos.

Segundo a líder da missão, o trabalho também busca incentivar educação, leitura e novas perspectivas para as crianças ribeirinhas e indígenas.

“Queremos que elas aprendam a ler a Palavra de Deus, amem estudar e entendam que podem ter outras profissões e outro futuro”, disse.

Novo enfoque nas mulheres

Em 2026, pela primeira vez, a missão decidiu criar um trabalho específico voltado para mulheres e homens das comunidades visitadas. A conferência feminina ocorreu na tribo Ticuna, local onde o barco missionário permaneceu atracado durante a principal programação da viagem.

“Nós queríamos que essas mulheres se sentissem amadas e direcionadas para um outro futuro. Que entendessem que não precisam ficar caladas e que podem denunciar abusadores”, afirmou Elisandra.

De acordo com a Pra. Meire, muitas mulheres demonstraram resistência inicial ao abordar temas relacionados a abusos. “Elas são muito fechadas em relação a isso. A gente ministra para quebrantar o coração delas, mas existe resistência”, relatou.

A missionária contou que várias mulheres da própria equipe compartilharam testemunhos pessoais de superação. Segundo ela, quase todas as ministrantes já haviam enfrentado situações de abuso sexual no passado, o que ajudou a gerar identificação com as indígenas e ribeirinhas presentes.

Conversa e oração

Uma psicóloga também participou da missão e realizou atendimentos especialmente voltados às crianças. Durante momentos de conversa individual e oração, algumas crianças demonstravam espontaneidade ao responder perguntas, enquanto outras reagiam em silêncio diante de questionamentos sobre possíveis abusos.

“Quando havia alguma confissão ou sinais mais evidentes, a psicóloga fazia um atendimento mais específico para tentar ajudar a criança a se abrir”, explicou a pastora.

Mulheres indígenas e ribeirinhas acompanham ministrações durante conferência promovida pela missão On Fire. (Foto: Arquivo pessoal)

Além das ministrações, homens e mulheres receberam presentes e kits preparados pela equipe missionária para fortalecer os vínculos com as famílias atendidas.

Apesar da resistência emocional observada em parte das participantes, a conferência também teve momentos de decisão espiritual.

Segundo a Pra. Meire, algumas mulheres responderam ao apelo feito pela pastora Elisandra, incluindo casos de reconciliação com a fé cristã.

Adoção espiritual

Outro destaque da missão On Fire é o projeto chamado “adoção espiritual”, considerado pela pastora Elisandra como o ponto central da caravana missionária realizada anualmente na Amazônia.

Segundo ela, missionários vindos de diferentes regiões do Brasil – e também de outros países – são incentivados a criar vínculos permanentes com crianças, adolescentes, adultos e famílias ribeirinhas ou indígenas atendidas durante a missão.

“Cada missionário adota espiritualmente uma pessoa para orar, acompanhar o crescimento, entender suas necessidades e manter relacionamento com aquela família”, explicou.

De acordo com a líder da missão, o acompanhamento continua mesmo após o encerramento da viagem missionária. Os participantes mantêm contato com as famílias, enviam mensagens, acompanham dificuldades e ajudam a suprir necessidades identificadas durante o relacionamento construído ao longo do tempo.

“Esse é o ápice da caravana, a adoção espiritual”, afirmou Elisandra. Segundo ela, o projeto também tem ajudado a identificar situações delicadas, incluindo possíveis casos de abuso e vulnerabilidade social.

Ela citou o exemplo da Pra. Meire, que percebeu sinais preocupantes envolvendo um de seus filhos espirituais ribeirinhos durante esse acompanhamento.

Pra. Meire Dantas ministra mulheres indígenas e ribeirinhas na tribo Ticuna, no Amazonas. (Foto: Arquivo pessoal)

Além da intercessão espiritual, os missionários também ajudam com materiais escolares, itens de higiene, roupas, vitaminas e outros recursos básicos.

“Em algumas comunidades, uma única escova de dentes chega a ser compartilhada por várias pessoas. O pai espiritual ou a mãe espiritual identifica isso e nós tentamos suprir essas necessidades”, relatou Elisandra.

O trabalho missionário ocorreu entre os dias 29 de abril e 3 de maio e percorreu diferentes comunidades ribeirinhas da região amazônica.

A missão pretende continuar realizando conferências voltadas para mulheres nos próximos anos, ampliando o discipulado e o acompanhamento espiritual nas comunidades atendidas.

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