
O missionário brasileiro Claudinei Vicente resgatou mais uma pessoa do trabalho escravo no Paquistão.
O líder da missão brasileira “Aonde Deus Mandar” (ADM), que tem resgatado famílias escravizadas em fábricas de tijolos no país, contou que descobriu uma nova modalidade de trabalho análogo à escravidão.
“ Uma delas é a da fábrica de tijolos, que vocês conhecem bem. A segunda é na agricultura”, disse Claudinei, em vídeo compartilhado no Instagram no último final de semana.
No ano passado, o missionário conheceu um homem que estava sendo escravizado há 31 anos em uma área rural.
“Ele cuidava de búfalos, num calor de 50ºC, e ele trabalhava 22 horas por dia. Ele só trabalhava todos os dias. Sim, ele tinha duas horas de descanso em 24 horas”, afirmou.
“Ele dormia no curral. Ele fazia tudo: tinha que alimentar os búfalos, tratar dos búfalos, tirar leite das vacas, tinha que levá-los para pastar, tinha que buscá-los do pasto. Dentro de 15 dias, ele tinha meio dia para ir até a família dele”, revelou.
A situação do paquistanês era ainda mais extrema porque sua esposa e um dos filhos eram doentes.
O homem era responsável por cuidar sozinho de uma grande quantidade de animais apenas em troca de alimento.
“O trabalho era muito pesado. O lugar era sujo, fedia muito. É um dos lugares mais difíceis para eu conseguir gravar lá por causa da quantidade de moscas. Eu até medo de falar e elas entrarem na minha boca”, lembrou Claudinei.
Vida transformada
A missão ADM conseguiu resgatar o homem, pagando por sua liberdade. “Hoje, ele está super bem, a vida dele foi totalmente transformada”, testemunhou o missionário.
“Na minha última ida para o Paquistão, eu encontrei com ele em uma festa de casamento. Eu não o reconheci. Ele parecia que estava 15 anos mais novo. E quando ele e [sua família] me viram, me abraçaram, choraram, agradeceram mais mil vezes. E hoje eles estão livres e vivendo uma vida como todos nós”.
Segundo Claudinei, ainda há muitos paquistaneses escravizados na agricultura e, nessa situação, o resgate é muito mais difícil.
“Os donos não querem perder esses escravos, então eles não deixam a gente resgatar. E lembrando que estamos lidando com alguns que são da máfia, então a gente corre um risco muito grande de sequer tentar resgatar”, explicou.
“É muito arriscado, mas a gente vai tentando. Em breve voltarei lá para continuar esse trabalho”.
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Famílias resgatadas da escravidão
Há cinco anos, Claudinei tem trabalhado para resgatar famílias escravizadas em fábricas de tijolos no Paquistão. Em 2025, com ajuda de doações, ele pagou pela libertação de mais de sete famílias.
Segundo a Global Christian Relief, no Paquistão, existem cerca de 20.000 fornos de tijolos onde muitos cristãos são vítimas do trabalho escravo.
Perseguidos e marginalizados, os cristãos minoritários representam menos de 2% da população da nação do sul da Ásia.
Esses crentes constituem uma grande porcentagem dos trabalhadores do forno de tijolos, cujo sistema é feito para prendê-los, e uma vez que uma família aceita um empréstimo, é extremamente difícil para eles pagá-lo. Assim, os empréstimos passam de geração em geração.
O Paquistão ficou em 8º lugar na Lista Mundial de Observação de 2025 da Portas Abertas, dos lugares mais difíceis para ser cristão, assim como no ano anterior.
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