Morte de pastor e sequestros de cristãos continuam com escalada da violência na Nigéria

O ataque a uma vila cristã em Kaduna deixou um pastor morto, dezenas de moradores sequestrados e intensificou a preocupação com a violência contra cristãos no país.

Fonte: Guiame, com informações de Morning Star News e ICCAtualizado: quinta-feira, 19 de março de 2026 às 13:27
Imagem Ilustrativa. (Foto: Reprodução/Unsplash/Gracious Adebayo)
Imagem Ilustrativa. (Foto: Reprodução/Unsplash/Gracious Adebayo)

Um pastor foi morto e dezenas de cristãos foram sequestrados durante um ataque no estado de Kaduna, na Nigéria. Segundo moradores da região, os suspeitos seriam extremistas fulani.

O ataque ocorreu em 26 de fevereiro, quando o reverendo Joshua Ajiya, da Igreja Evangélica Reformada de Cristo (ERCC), foi assassinado na comunidade majoritariamente cristã de Dorowa Maitozo, no condado de Sanga. 

A informação foi relatada pelo pastor Emmanuel Stephen, residente da área: “Extremistas fulani muçulmanos atacaram a comunidade e o ataque resultou tragicamente na morte do reverendo Joshua. Ele havia servido à igreja na comunidade de Dorowa por apenas dois meses antes de ser morto”.

De acordo com o pastor, a comunidade de Dorowa já vinha enfrentando recorrentes problemas de segurança nos últimos meses.

Outro morador, Thomas Hassan, informou que vários habitantes da vila continuaram desaparecidos após o ataque recente. 

“Que Deus conforte as famílias afetadas e continue a proteger nossas comunidades neste momento difícil”, disse ele ao Morning Star News.

Mesmo com a presença militar dos EUA, os ataques contra cristãos continuam 

Em meio à escalada da violência no país, o reverendo Ezekiel Dachomo, presidente regional da Igreja de Cristo nas Nações (COCIN) em Barkin Ladi, afirmou que os esforços para obter proteção internacional às comunidades atacadas na região central da Nigéria ainda não trouxeram resultados concretos para as áreas mais afetadas.

Segundo Ezekiel, embora os Estados Unidos tenham realizado operações militares em partes do norte do país, o estado de Plateau não foi incluído entre as áreas prioritárias. 

Ele alegou que decisões da liderança de segurança nigeriana influenciaram o redirecionamento da atenção para outras regiões, como o estado de Sokoto e áreas vizinhas.

As declarações do líder cristão surgem em meio a relatos contínuos de ataques genocidas no centro da Nigéria, especialmente nos estados de Plateau e Benue, onde comunidades agrícolas cristãs enfrentam perseguições recorrentes há vários anos.

A organização International Christian Concern (ICC), apesar da presença de forças de segurança nigerianas e de operações de segurança periódicas, os ataques continuam sendo registrados. 

Sobreviventes e líderes locais relatam invasões de grupos armados a aldeias, destruição de casas e agressões contra moradores.

Em diversos casos, testemunhas afirmam que os ataques ocorreram em regiões próximas a instalações de segurança ou pouco tempo após a passagem de autoridades.

Áreas mais atingidas pela violência 

Ezekiel, que tem denunciado repetidamente a situação em Plateau, questionou o foco geográfico da cooperação militar internacional na Nigéria. Segundo ele, algumas das áreas mais atingidas pela violência não têm recebido a devida atenção.

Além de Plateau, ele citou ataques ocorridos em estados como Benue, Kaduna, Borno e partes de Kwara, onde moradores relatam assassinatos, deslocamentos forçados e destruição de propriedades.

Relatórios de grupos de direitos humanos também têm documentado um padrão de ataques nessas regiões, afetando com frequência comunidades agrícolas rurais.

Atualmente, o apoio militar estrangeiro na Nigéria tem se concentrado principalmente em operações antiterrorismo no nordeste do país, especialmente contra grupos extremistas. 

Conforme o ICC, há pouca informação pública sobre qualquer atuação direta de forças terrestres americanas em estados do chamado Cinturão Médio, como Plateau e Benue.

Enquanto a violência continua em partes da região central da Nigéria, líderes locais, organizações cristãs e grupos comunitários seguem pedindo mais proteção, responsabilização dos autores e maior atenção às comunidades afetadas. 

A Nigéria ficou em 7º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo.

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