Terroristas invadem escola e sequestram dezenas de estudantes em novo ataque na Nigéria

O ataque aconteceu em uma escola no estado de Borno, onde pelo menos 36 estudantes e um funcionário foram levados para o cativeiro.

Fonte: Guiame, com informações de ICCAtualizado: quinta-feira, 2 de julho de 2026 às 20:13
Os ataques às escolas em vários estados do norte estão afetando o acesso à educação. (Foto: Ilustração/Unsplash/Eniafe)
Os ataques às escolas em vários estados do norte estão afetando o acesso à educação. (Foto: Ilustração/Unsplash/Eniafe)

Na última segunda-feira (29), homens armados invadiram a Escola Secundária Estadual de Lassa, no estado de Borno, nordeste da Nigéria, e sequestraram dezenas de estudantes enquanto eles realizavam as provas do Conselho Nacional de Exames. 

Segundo autoridades nigerianas, os criminosos chegaram à escola pouco depois das 9h, atirando contra o local. Além de sequestrar alunos e funcionários, eles mataram pelo menos um professor durante o ataque. 

O porta-voz da Polícia do Estado de Borno, ASP Nuhu Kenneth Daso, afirmou que o caso foi um “ataque terrorista”. 

Testemunhas relataram que os homens armados chegaram em motocicletas durante o dia de feira na cidade de Lassa e usavam roupas semelhantes a uniformes militares e de guardas florestais, com o objetivo de se passarem por agentes de segurança. 

Até o dia 30 de junho, pelo menos 36 estudantes e um funcionário da escola continuavam em cativeiro. Entre eles estão 25 meninas, 11 meninos e um membro da equipe escolar, informou o comissário de Educação do Estado de Borno, Lawan Abba Wakilbe. 

Oito pessoas, incluindo o vice-diretor da escola, foram resgatadas pelas forças de segurança, que continuam realizando buscas nas áreas de mata para localizar os demais desaparecidos. 

Autoridades suspeitam da ação do Boko Haram 

Conforme o International Christian Concern (ICC), até o momento, nenhum grupo ou facção assumiu a autoria do ataque. No entanto, o estado de Borno é uma das regiões mais afetadas pela violência do Boko Haram e do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP), que atuam no nordeste da Nigéria há mais de 15 anos. 

“A ideologia do Boko Haram fez das escolas um alvo frequente. O grupo se opõe à educação de estilo ocidental e seus ataques afetaram comunidades muçulmanas e cristãs em toda a região”, declarou o ICC. 

E continuou: “Para os cristãos no norte da Nigéria, a violência do Boko Haram faz parte de uma crise de segurança mais ampla, na qual extremistas e grupos armados atacaram igrejas, aldeias, pastores, agricultores e estudantes”. 

“As autoridades não divulgaram publicamente a afiliação religiosa dos estudantes sequestrados, mas o padrão dos ataques continua a limitar a educação e a vida cotidiana em comunidades onde cristãos e outros civis vivem sob ameaça”, acrescentou. 

A onda de ataques terroristas nas escolas do país

A Amnesty International afirmou que os sequestros em escolas têm impedido muitas crianças de estudar no norte da Nigéria e voltou a pedir que o governo reforce a segurança para proteger alunos e professores. 

Em um relatório de 2025, a Anistia destacou que pelo menos 15 sequestros em massa de crianças em idade escolar foram documentados desde o sequestro de Chibok em 2014. 

Além disso, o fechamento de escolas em vários estados do norte está afetando o acesso à educação.  

O ataque aconteceu enquanto os alunos faziam o NECO, um exame nacional aplicado a estudantes do ensino médio na Nigéria. Segundo a Associated Press, os jovens sequestrados têm entre 15 e 18 anos. 

O caso acontece em meio às operações das forças de segurança contra grupos terroristas no nordeste do país. No início de junho, o Exército nigeriano resgatou mais de 300 pessoas que haviam sido sequestradas pelo Boko Haram na cidade de Ngoshe, localizada a cerca de 114 quilômetros de Lassa. 

Em maio, autoridades informaram que uma operação conjunta entre Nigéria e Estados Unidos matou 175 terroristas do Estado Islâmico da Província da África Ocidental (ISWAP). 

Enquanto isso, as buscas pelos estudantes sequestrados continuam, e dezenas de famílias seguem esperando notícias de seus filhos. 

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