Família de jovem cristã sequestrada acusa a polícia de ser cumplice do crime, no Egito

A jovem Hanan Adly Girgis está desaparecida desde o dia 26 de janeiro. Apesar de um vizinho ter confessado sua ligação com o incidente, a polícia não está reagindo ao caso.

Fonte: Guiame, com informações do Christian TodayAtualizado: quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017 19:43
Hanan Adly Girgis foi encontrada ausente em Esna, uma aldeia no Alto Egito. (Foto: Reprodução).
Hanan Adly Girgis foi encontrada ausente em Esna, uma aldeia no Alto Egito. (Foto: Reprodução).

A família de uma jovem cristã egípcia, de 18 anos que está desaparecida desde o dia 26 de janeiro, acusou a polícia de cumplicidade em seu sequestro depois que eles não agiram contra um suposto suspeito que admitiu estar envolvido com o crime.

Hanan Adly Girgis foi encontrada ausente em Esna, uma aldeia no Egito, quando alguns de seus irmãos retornaram à noite, de acordo com World Watch Monitor (WWM). Depois de não encontrar Hanan, seus irmãos e seu advogado fizeram uma queixa formal à polícia, acusando um vizinho, Mohamed Ahmed Nubi Soliman, 27, de seu sequestro.

Os promotores convocaram Soliman e, segundo a WWM, ele admitiu uma conexão com o incidente. No entanto, ele foi libertado devido à falta de “provas físicas”. O advogado da família de Adly, Barsoum Wahba, disse que não houve nenhum progresso com o caso, apesar dos protestos do lado de fora da estação de polícia, realizados por amigos e pela família de Adly.

Romany Adly Girgis, irmã da menina desaparecida, explicou à WWM o que aconteceu na noite em que ela desapareceu. Ele e outros irmãos estavam longe de casa, promovendo culturas em suas terras, deixando apenas um dos irmãos, Rezeiky, em casa com sua esposa, sua mãe idosa e Adly.

"Por volta das 22h30, nossos vizinhos - primos de Soliman - disseram ao meu irmão Rezeiky que viram um ladrão perto do galpão", disse Romany. Rezeiky pegou um cobertor e se dirigiu ao galpão para guardá-lo durante a noite. Romany disse que ela pensa que este era um plano para garantir que Rezeiky havia deixado as mulheres sozinhas em casa.

“Às três da manhã, quando meus irmãos e eu voltamos, encontramos a porta aberta”, disse ela. Nossa mãe estava dormindo, mas Adly não estava no quarto dela. Nós pensamos que ela poderia estar dormindo com minha cunhada, mas Adly não estava lá. Procuramos por toda parte e fomos a parentes para ver se ela tinha ido até eles, mas nenhum deles a tinha visto”, contou.

Sem razões

Rezeiky explicou que Hanan não tinha nenhuma razão para sair de casa: "Não houve desacordo entre nós, ela estava muito feliz. Estava noiva de um homem com quem escolheu estar. Eles tinham planejado ir comprar jóias juntos no dia seguinte e ela tinha comprado roupas novas para o casamento de sua prima no domingo.

Ele acrescentou que suas roupas, jóias, cartão de identidade e certidão de nascimento ainda estavam em seu quarto. “Se ela tivesse fugido, ela os teria levado com ela”, disse ele.

Crucialmente, os irmãos encontraram um dos chinelos de Hanan perto da porta e acreditam que ela foi sequestrada enquanto ainda estava de pijama. "Se ela quisesse sair de casa, ela estaria vestida, não de pijama", disse Rezeiky.

Causa

Romany disse à WWM que o vizinho "odeia" sua família e explicou como ele achava que o sequestro ocorreu. "Nosso vizinho, Mohamed Ahmed Nubi Soliman, nos contou que viu um Tuk-Tuk parar perto da nossa casa à meia-noite e viu dois homens levando algo para ele. Pensamos que esse vizinho é um dos sequestradores porque ele nos odeia e, quando perguntamos a ele sobre de quem era o Tuk-Tuk, ele não respondeu.

Romany alegou que Soliman está envolvido em atividades ilegais, e disse que ele muitas vezes causou problemas para a família Girgis. Na noite do sequestro, Rezeiky não encontrou ninguém no galpão. "Era um plano para tirá-lo de nossa casa para que Hanan pudesse ser sequestrada", disse Romany.

Quando a polícia não tomou nenhuma providência imediata, a família organizou um protesto fora da delegacia exigindo que a polícia investigasse. Romany especulou que os cristãos podem ser alvos tanto pelo sequestrador quanto pela polícia cúmplice.

"Eles nos prometeram muitas vezes que iriam ajudar a encontrar Hanan, mas eles não fizeram nada", disse Romany. "Nós não sabemos por que eles não nos ajudam. É porque somos cristãos, ou eles convivem com os sequestradores para levar as meninas cristãs para se converter ao Islã? Nós os acusamos de apatia e cumplicidade”, pontuou.

O advogado da família acrescentou: "Existe um estado de indiferença policial em relação ao caso de Hanan. Eles não fizeram nada para ajudar os irmãos. Eles disseram 'dá-nos dois dias e vamos trazê-la de volta', mas estas são palavras sem ações. Eles não são graves, embora eles sabem que têm a capacidade de saber onde Hanan está e quem a sequestrou. Porque a vítima é uma menina cristã e por isso vemos essa falta de ação. É uma farsa. Queremos que as pessoas lidem conosco como seres humanos e não como cidadãos de segunda classe. Sentimos que não temos direitos”, finalizou.

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