
Em meio ao avanço da tecnologia e ao aumento de casos de ansiedade entre jovens, uma universidade cristã nos Estados Unidos lançou um desafio para incentivar seus alunos a se desconectarem das redes sociais e se aproximarem de Deus.
A iniciativa, chamada “Digital Rest”, da Universidade Liberty, em Lynchburg, Virgínia, está em sua segunda edição anual.
Neste mês de fevereiro, a instituição propõe um período de jejum digital para que os estudantes aprofundem sua conexão com Deus, fortaleçam relacionamentos presenciais e reduzam distrações.
"Estou constantemente recebendo notificações do Instagram, redes sociais, Facebook, mensagens de texto, e-mails, então é difícil se concentrar", disse o estudante do último ano, Isaiah Varella, à CBN News.
Segundo Josh Rutledge, vice-presidente de desenvolvimento espiritual da instituição, o objetivo não é demonizar a tecnologia, mas questionar o controle que ela exerce sobre os jovens e sua relação com o aumento nacional de problemas de saúde mental.
"Não quero que os alunos fiquem deprimidos e ansiosos. Quero que eles conheçam a vida abundante que Deus tem para eles, e se permitirem que o celular dite as regras da realidade, acabarão ansiosos", afirmou ele.
Controle da ansiedade
Pesquisas do Barna Group mostram que 39% da Geração Z frequentemente se sentem inseguros e ansiosos em relação às decisões, e 85% acreditam que sua geração passa tempo demais online.
Para Josh, o jejum digital é uma disciplina espiritual crucial para a cultura tecnológica atual.
"Esta campanha não é contra a tecnologia. Nem sequer é contra o telefone. Ela questiona: 'Quem está no controle? Você controla o telefone e o usa como uma ferramenta para seu benefício ou ele controla você?'", explicou ele.
Makayla Kain, estudante do último ano de Estudos Globais e Design Gráfico, disse: "Percebi que estava pegando meu celular com mais frequência do que imaginava e que tinha o hábito de clicar em aplicativos sem nem perceber"
Já Thomas Myers, estudante do último ano de ciências biomédicas e psicologia, contou:
"Refletimos sobre quantas vezes estamos em um grupo de pessoas e todos ficamos olhando para nossos celulares juntos. Acho que esse descanso realmente nos ajudou a nos conectar com as pessoas de uma forma mais genuína, da maneira como deveríamos”.
Renovação espiritual
Para encorajar os alunos durante o jejum digital, a Liberty criou um guia digital chamado "Lookup", que inclui leituras bíblicas, devocionais e sugestões guiadas para reflexão e oração.
"Isso ajuda os alunos a se distanciarem um pouco da situação, a realmente se dedicarem à oração, a abrirem a Palavra de Deus, a refletirem sobre a comunidade e os relacionamentos com outras pessoas", relatou Josh.
Além disso, a universidade também instalou bloqueadores em cada residência estudantil: "Então, literalmente, a única coisa que posso fazer de manhã é olhar o aplicativo da Bíblia e, de fato, levantar da cama”, disse um aluno.
Emily Bergman, aluna do primeiro ano, afirmou que, desde que parou de usar a internet, seu desempenho melhorou: "Percebi que estou muito mais envolvida em tudo, estou fazendo minha lição de casa e sempre no prazo. Sem procrastinação".
Outro aluno comentou sobre os benefícios emocionais, mentais e físicos durante o jejum: "Me sinto muito mais atento. Percebi que consigo adormecer muito mais rápido porque não fico mais navegando na internet sem parar antes de dormir. Uma sensação de paz, com certeza".
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Os estudantes no campus da instituição. (Foto: Reprodução/CBN News)
Também houve impacto na vida espiritual. Muitos estudantes relataram maior concentração nos momentos de oração e leitura bíblica, além de uma sensação de paz e clareza mental.
"Estou muito mais concentrado no meu tempo com o Senhor pela manhã. Não estou tendo distrações. Tenho me concentrado mais em ficar em silêncio e ouvir a Deus”, contou um aluno.
Ao final do período, a universidade pretende realizar uma pesquisa interna para avaliar o nível de participação e os efeitos da iniciativa.
Embora a maioria dos estudantes reconheça que continuará usando redes sociais após o desafio, muitos afirmam que pretendem manter um uso mais equilibrado.
"Eu sei que as redes sociais e os diferentes aplicativos não são ruins, mas o problema está em como você os usa. Então, definitivamente vou diminuir bastante o meu uso deles", concluiu um estudante.
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