Comitê Olímpico Internacional proíbe transgêneros em todos os esportes femininos

Kirsty Coventry, presidente do Comitê, declarou que a nova regra garante justiça e proteção às atletas mulheres.

Fonte: Guiame, com informações de The Guardian e The Telegraph Atualizado: quinta-feira, 26 de março de 2026 às 18:26
O boxeador trans Imane Khelif. (Reprodução/YouTube/DforGaming).
O boxeador trans Imane Khelif. (Reprodução/YouTube/DforGaming).

O Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu proibir atletas transgêneros em todos os esportes femininos. A organização anunciou a nova regra nesta quinta-feira (26) em uma coletiva de imprensa.

A proibição começará a ser implantada nas Olimpíadas de Los Angeles 2028 e continuará nos futuros Jogos Olímpicos.

A COI estabeleceu que apenas mulheres biológicas poderão competir nas categorias femininas nos esportes individuais e em grupo. A medida também barra atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD) de competir no feminino.

Segundo o Comitê, todos os atletas que desejam competir na categoria feminina nas próximas Olimpíadas terão que passar por um exame genético para identificar seu sexo biológico.

"Com base em evidências científicas, o COI considera que a presença do gene SRY é fixa ao longo da vida e representa evidências altamente precisas de que um atleta experimentou desenvolvimento sexual masculino", afirmou a organização em um documento sobre a nova política.

"Além disso, o COI considera que a triagem genética SRY via saliva, swab da bochecha ou amostra de sangue é não intrusiva em comparação com outros métodos possíveis”.

Justiça para atletas mulheres

Kirsty Coventry, presidente do Comitê, declarou que a nova regra garante justiça e proteção às atletas mulheres.

"A política que anunciamos é baseada na ciência e liderada por especialistas médicos. Nos Jogos Olímpicos, até as menores margens podem ser a diferença entre vitória e derrota. Portanto, está absolutamente claro que não seria justo que homens biológicos competissem na categoria feminina. Além disso, em alguns esportes isso simplesmente não seria seguro”, afirmou.

"Todo atleta deve ser tratado com dignidade e respeito, e os atletas precisarão ser avaliados apenas uma vez ao longo da vida. Deve haver uma educação clara sobre o processo e aconselhamento disponível, além de aconselhamento médico especializado”.

A decisão acontece após mais de uma década de intensos debates sobre equidade de gênero e vantagem competitiva no esporte feminino.

Vitórias polêmicas

A medida pretende evitar situações como a que permitiu a participação de Laurel Hubbard no levantamento de peso nas Olimpíadas de Tóquio, em 2021. Hubbard realizou a transição de gênero em 2012.

Ou o caso nos Jogos Olímpicos de Paris, quando Imane Khelif, da Argélia, e Lin Yu-ting, de Taiwan, conquistaram medalhas de ouro no boxe, apesar de terem sido desclassificadas do Campeonato Mundial de 2023 por supostamente não atenderem aos critérios de elegibilidade de gênero devido a diferenças no desenvolvimento sexual (DSD).

O comitê executivo do COI, que na época incluía Kirsty Coventry, enfrentou duras críticas por permitir que eles lutassem.

Vantagens comprovadas

No documento sobre a nova política, o Comitê Internacional ressaltou que transgêneros e atletas com DSD possuem vantagens físicas sobre as mulheres, mesmo após tratamentos de mudança de gênero como a supressão de testosterona.

"Há uma vantagem de desempenho masculino de cerca de 12% na maioria dos eventos de corrida e natação. Há uma vantagem de mais de 20% no desempenho masculino na maioria das provas de arremesso e salto. E a vantagem de desempenho masculino pode ser maior que 100% em eventos que envolvem poder explosivo, por exemplo, em esportes de colisão, levantamento e socos”, afirmou.

"Atletas transgênero XY e atletas com XY-DSD normalmente apresentam testículos e níveis de testosterona na faixa masculina".

A ex-jogadora brasileira de vôlei, Ana Paula Henkel, comemorou a decisão do Comitê Olímpico Internacional em postagem do X.

“Vitória espetacular para as mulheres! Depois de anos de atrocidades cometidas contra as mulheres, o esporte feminino volta a ser justo e seguro. A ciência e a realidade venceram. Não há mal que dure para sempre!”, escreveu ela.

“Parabéns às mulheres e aos homens – atletas ou não – que não se calaram diante dessa aberração e barbárie! Obrigada pela coragem! Obrigada, Kirsty Coventry, por proteger as mulheres no esporte e honrar a Carta Olímpica”.

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