Guerra na Ucrânia provoca temores de escassez global de trigo

Para tentar reverter a situação, o presidente do Egito exigiu que os agricultores dediquem uma parte de suas terras ao cultivo de trigo sob ameaça de multa e até prisão.

Fonte: Guiame, com informações de CBN NewsAtualizado: quinta-feira, 5 de maio de 2022 16:20
Depois da invasão russa à Ucrânia o preço do trigo subiu rapidamente. (Foto: Captura de tela/Vídeo CBN News)
Depois da invasão russa à Ucrânia o preço do trigo subiu rapidamente. (Foto: Captura de tela/Vídeo CBN News)

Há mais de dois meses que a Ucrânia foi atacada pela Rússia e as graves consequências dessa guerra acontecem como um “efeito dominó” que percorre o mundo. 

No primeiro mês, a interrupção do fornecimento de gás e petróleo russo fez disparar os preços da energia. Além disso, sem as exportações de grãos ucranianos, deu-se início a uma crise nos mercado globais, o que afeta diretamente na crise alimentar que já é uma realidade em diversos países, conforme o Guiame já divulgou.

Nesta primavera ucraniana — que acontece entre 1 de março e 31 de maio — o trigo para o inverno logo estará pronto para a colheita. Porém, a guerra fez com que os agricultores se concentrassem na própria sobrevivência. 

Má notícia

Para os países que dependem do trigo ucraniano para sobreviver, a má notícia de que dessa vez ele não vai chegar causa temores. 

No Líbano, por exemplo, o estoque de grãos pode acabar em menos de dois meses. “O impacto dessa guerra no Líbano será, infelizmente, multifacetado e já vimos isso”, disse Ettie Higgins, o representante interino do UNICEF no país.

“Normalmente, apoiamos 130 mil crianças, todos os meses, com uma pequena doação em dinheiro de 40 dólares americanos. E nas últimas semanas, o número de chamadas para nossa linha de apoio mais do que triplicou, pois as famílias realmente lutam para colocar comida na mesa”, ele compartilhou. 

Outros países que enfrentam as consequências da guerra

No Egito, mais de 80% dos 270 milhões de pães que o país consome, diariamente, são feitos com trigo da Rússia e da Ucrânia. Então, os problemas são inevitáveis.

No Cairo, as pessoas com renda fixa já estão sentindo o aperto dos preços altos. “O pão no Egito é como a espinha dorsal [da economia] porque a maioria das pessoas precisa de pão para sobreviver, e o preço subiu muito”, explicou Mohammad Hamza, que mora no Cairo, à CBN News. 

Ele conta que o preço do pão subiu 70% e que essa realidade vai abalar a segurança alimentar egípcia, palco de muitas histórias bíblicas. Foi no Egito que José estrategicamente armazenou grãos durante os sete anos de abundância, e teve provisão para os sete anos de “vacas magras”. 

O mundo antigo foi favorecido a partir do Egito, porque um homem de Deus esteve na administração. 

Um Egito menos preparado

Hoje, porém, o Egito não parece estar preparado para os tempos que virão. O presidente egípcio, Abdel Fatah el-Sisi, exigiu que os agricultores do país dediquem uma parte de suas terras ao cultivo de trigo. Aqueles que não apresentarem sua cota enfrentará multas e possível prisão, conforme Chuck Holton da CBN News. 

“Um fazendeiro egípcio nos disse que as ameaças não são necessárias”, disse o jornalista ao compartilhar o depoimento do fazendeiro: “Estou feliz por plantar mais trigo este ano do que no ano passado, porque os preços estão muito mais altos. Já vendi toda a minha safra de inverno e isso dará uma boa vida à minha família”. 

Apesar da visão do fazendeiro, a quantidade de grãos cultivados por agricultores locais, não chegará nem perto de compensar o déficit da Ucrânia. Por essa razão, os egípcios já estão culpando Vladimir Putin.  

Um pastor beduíno disse: “Sim, a farinha aqui ficou muito mais cara por causa desse governo russo maluco. Ele é um maluco”. 

Siga-nos

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições