Israel e EUA intensificam monitoramento da fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina

O temor de autoridades é de que radicais islâmicos tenham se aproveitado para negociar com o crime organizado na América do Sul.

fonte: Guiame, com informações do R7

Atualizado: Segunda-feira, 6 Janeiro de 2020 as 11:07

Placa indicativa dos países da Tríplice Fronteira. (Foto: Reprodução/Pinterest)
Placa indicativa dos países da Tríplice Fronteira. (Foto: Reprodução/Pinterest)

Na região da Tríplice Fronteira, que reúne Brasil, Paraguai e Argentina, há suspeita de que células do Hezbollah e de grupos radicais xiitas tenham se instalado desde os anos 80. Por este motivo, Israel participa há anos do monitoramento desta área.

O assassinato do general iraniano Qasem Soleimani, em Bagdá, por forças americanas ocorrido na quinta-feira (02), a atenção se voltou para a Tríplice Fronteira, onde poderia haver uma possível retaliação dos radicais islâmicos, incluindo aqueles que possivelmente atuam nesta região da América do Sul.

Em sua primeira visita ao Brasil, em dezembro de 2018, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, havia afirmado que as autoridades israelenses tinham como objetivo fortalecer a parceria com o Brasil para, entre outros itens, contribuir com o monitoramento desta fronteira.

"Temos delegações realizando conversas em várias áreas e a proteção das fronteiras é uma delas. Temos como ajudar o Brasil a controlar a movimentação de suas fronteiras, com tecnologias como o desenvolvimento de drones e de Inteligência", disse o primeiro-ministro na ocasião.

Oriente Médio

Especialista em Inteligência do Oriente Médio, o professor Danilo Porfírio Castro Vieira, autor do livro "Política Externa Norte-Americana no Oriente Médio e o Jihadismo", confirma que a preocupação de Israel e Estados Unidos é uma realidade. Mas acredita que não haja, neste momento, algum perigo de atentado.

"As ações do Hezbollah hoje são monitoradas pelo serviço de segurança no Brasil, inclusive apoiado pelos americanos e israelenses. Notamos essa grande aproximação dos americanos e israelenses junto aos brasileiros, entre outros fatores, por isso. Mas não vejo, pelo menos a curto e médio prazos, ações retaliatórias no Brasil, ainda mais porque a comunidade muçulmana no País é muito forte e temos ambiente de tolerância, como não é visto em outros países do Ocidente. Vejo, por isso, dificuldades de testemunharmos atos terroristas no Brasil", ressalta.

E, apesar das suspeitas de autoridades israelenses e americanas, que, entre outras,  consideram o Hezbollah um grupo terrorista, ele observa que não é possível afirmar que a atuação da entidade na Tríplice Fronteira esteja vinculada a atentados em alguma região.

"A ação do Hezbollah no Brasil, em princípio, é vinculada ainda ao exercício do Zakat, contribuição da comunidade que incide sobre 2,5% da riqueza de cada pessoa, dada, como fundo de benemerência, a um fundo assistencial para ser redistribuído no Líbano. O Hezbollah tem um papel mediador para arrecadação e envio para obras assistenciais no Líbano. Não há indícios claros de que recursos da Tríplice Fronteira sejam utilizados para financiamento de milícias ou atos de violência", afirma.

O temor de autoridades é de que radicais islâmicos tenham se aproveitado para negociar com o crime organizado na América do Sul, que se fortaleceu a partir da última década de 80.

Ao longo deste período, foram feitas prisões e extradições de suspeitos na região, em operações que tiveram a contribuição da Inteligência de vários países, como Brasil, Argentina, Israel, Chile, Estados Unidos e Romênia.

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