Justiça da França autoriza pai trans a ser reconhecido como mãe da filha

O homem biológico se tornou o primeiro transexual a ser aceito como filiação materna no país.

Fonte: Guiame, com informações de ExtraAtualizado: segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022 19:02
O homem biológico se tornou o primeiro trans a ser aceito como mãe na França. (Foto: Unsplash/Daniel James).
O homem biológico se tornou o primeiro trans a ser aceito como mãe na França. (Foto: Unsplash/Daniel James).

A Justiça da França autorizou um pai transexual, de 52 anos, a ser reconhecido legalmente como mãe da filha. O homem biológico, Claire (nome fictício), entrou com uma longa batalha judicial pela permissão, após não ser autorizado a se registrar como mãe no nascimento da criança, em 2014. 

Na época, o pai já possuía documentos o identificando no gênero feminino, porém como ele ainda não havia realizado a cirurgia de transição de sexo, seu pedido foi negado.

A decisão a favor de Claire foi dada pelo Tribunal de Apelação de Toulouse na última quarta-feira (9), de acordo com a imprensa local. O pai se tornou o primeiro trans a ser aceito como mãe na França.

"O Tribunal de Apelação de Toulouse autoriza a menção na certidão de nascimento da criança, do marido que se tornou mulher como mãe", afirma o documento.

O caso permitiu duas filiações maternas na certidão, já que a esposa do homem havia sido registrada como mãe no nascimento da menina, agora com oito anos. 

‘Crianças precisam de um pai e uma mãe’

Após ouvir vários testemunhos de crianças, especialistas chegaram à conclusão de que a ciência estava realmente certa — as crianças se desenvolvem melhor em todos os aspectos da vida quando são criadas por um pai e uma mãe.

Mark Regnerus, um sociólogo e professor da Universidade do Texas, em Austin, é pesquisador nos campos de comportamento sexual, dinâmica de relacionamento e religião. 

Uma de suas pesquisas e conclusões “detonaram uma bomba atômica de fúria política”. Ele apenas confirmou, em 2012, que a falta de um pai e uma mãe prejudica as crianças a longo prazo. “O sinal de igual era um logotipo fofo, mas a matemática não era igual”, ele disse.

Seus estudos apontaram para alguns problemas específicos de crianças criadas por pessoas do mesmo sexo: necessidade de terapia, vitimização sexual, depressão, apegos e dependências, uso de maconha e comportamento criminoso.

Testemunhos de filhos criados por pessoas do mesmo sexo

Duas coisas aconteceram desde o estudo de 2012, feito por Regnerus — mais cientistas sociais trabalharam no tema. E as crianças começaram a postar os gritos de seus corações, de forma online. Elas declaram o desejo por um pai e uma mãe biológicos. 

As pesquisas e suas conclusões contribuem com esse desejo, mostrando que dois pais ou duas mães não é o ideal para a formação da família. Pelo menos 20 crianças que foram criadas por pessoas do mesmo sexo, foram selecionadas aleatoriamente e seus depoimentos foram colhidos.

“Esses resultados se alinham com o que as ciências sociais já estabeleceram sobre o desenvolvimento infantil, a saber, os três alimentos básicos da dieta sócio emocional de uma criança: o amor da mãe, o amor do pai e a estabilidade”, escreveu Katy Faust, autora do assunto e que foi criada pela mãe lésbica e sua parceira. 

Enquanto a multidão política busca controlar a narrativa e reprimir a verdadeira ciência, outro problema surgiu para a agenda dos pais gays. As crianças estão começando a expressar sua dor.

Samantha Wiessing cresceu com dois pais gays até os oito anos de idade. “Eu nem sabia que existia tal coisa como mãe até assistir a ‘The Land Before Time at School’. Meu cérebro de cinco anos não conseguia entender por que eu não tinha a mãe que de repente queria desesperadamente. Eu senti a perda. Eu senti o buraco”, ela explicou.

“À medida que crescia, tentei preencher esse vazio com tias, amigas lésbicas de meu pai e professoras. Lembro-me de perguntar à minha professora da primeira série se eu poderia chamá-la de mãe”, continuou.

“Eu fazia essa pergunta a qualquer mulher que me mostrasse algum amor e carinho. Foi instintivo. Eu ansiava pelo amor de uma mãe, embora fosse muito amada por meus dois pais gays”, admitiu. 

Atualmente, Samantha trabalha como diretora de desenvolvimento da Them Before Us. Ela espera ajudar outras crianças a evitar a devastação que sentiu quando criança.

“Eu sou uma garota de 15 anos e tenho duas mães. Elas são maravilhosas, mas ainda assim, eu quero um pai. Não estou dizendo que sou contra o casamento gay ou a paternidade gay. Eu só quero um pai, e me sinto mal por dizer isso”, desabafa a garota.

“O dia dos pais é horrível”, escreveu outra adolescente. “Minha mãe pensa que representa a sociedade, mas na verdade é só ela. Eu a amo, mas ela fala sobre gêneros como se eles não importassem na hora de criar os filhos”, explicou.

“Eu quero saber quem é meu pai. Eu preciso conhecê-lo. Eu preciso me relacionar com ele e fazer coisas de pai e filha. Ele é metade de quem eu sou. Somos de carne e osso. Ele está literalmente no meu DNA. Por que as pessoas não entendem isso?”, questionou.



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