
A decisão do Ministério da Justiça e Segurança Pública de retirar a classificação livre dos desenhos bíblicos exibidos pela Record provocou reações de lideranças cristãs e parlamentares.
Entre os que criticaram a medida estão a cantora e pastora Ana Paula Valadão, seu marido, o pastor Gustavo Bessa, o pastor Filipe Duque Estrada, conhecido como Lipão, o pastor Renato Vargens, a senadora eleita Bia Kicis (PL-DF) e o deputado federal eleito Guilherme Kilter (Novo-PR).
“Inversão de valores”
Ana Paula Valadão e seu marido, o pastor Gustavo Bessa, manifestaram indignação com a decisão do governo federal.
“Isso é um absurdo”, afirmou Ana Paula, antes de questionar os critérios utilizados para reclassificar a programação infantil de conteúdo bíblico.
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“A gente estava vendo aqui o que torna um desenho censura 12 anos. Como assim, né? Um desenho do Evangelho pode ser criminoso, violento?”, questionou.
Ao mencionar os critérios apresentados pelo Ministério da Justiça, Gustavo destacou a referência a “drogas lícitas”, provocando uma reação de Ana Paula: “Meu Deus”.
Para o pastor, a decisão reflete uma inversão de valores na sociedade brasileira.
“Está havendo uma inversão muito clara de valores no governo brasileiro. E esse governo está chamando aquilo que é bom de ruim e está chamando aquilo que é ruim de bom”, declarou.
Gustavo relacionou a situação às advertências dos profetas bíblicos.
“Exatamente aquilo que lemos no livro dos profetas. As pessoas iam chegar num tal momento de distorção, de corrupção, de perdição, que elas iam estar chamando o bom de ruim e o ruim de bom.”
A declaração remete à passagem de Isaías 5:20, que adverte contra aqueles que chamam o mal de bem e o bem de mal.
“Que Jesus tenha misericórdia do Brasil”
O pastor Filipe Duque Estrada, conhecido como Lipão, também se manifestou sobre o caso em seu perfil no Instagram.
Líder da Igreja Onda Dura, ele publicou duas imagens comparativas: uma mostrando Jesus sendo arrastado pelo diabo durante uma apresentação de Carnaval e outra de um desenho bíblico exibido pela Record.
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Na publicação, Lipão compartilhou uma frase atribuída ao reformador João Calvino:
“E vós, ó povos, a quem Deus deu a liberdade de escolher seus próprios magistrados, cuidem-se de não se privarem deste favor, elegendo para a posição de mais alta honra, patifes e inimigos de Deus.”
Na legenda, o pastor escreveu: “Que Jesus tenha misericórdia do Brasil”, acompanhado de emojis da bandeira brasileira e de mãos em oração.
Lipão também citou 1 Coríntios 2:14-15, que aborda a dificuldade do homem natural em compreender as verdades espirituais e o discernimento daqueles que são guiados pelo Espírito de Deus.
“Desenhos bíblicos no mesmo nível de novelas”
O pastor Renato Vargens, da Igreja Cristã da Aliança, em Niterói (RJ), também criticou a decisão do Ministério da Justiça, questionando os critérios utilizados para reclassificar os desenhos bíblicos da Record.
“O programa Record Kids: Desenhos Bíblicos, exibido nas manhãs de domingo pela Record, teve sua classificação indicativa alterada de ‘livre’ para ‘não recomendado para menores de 12 anos’”, afirmou.
O pastor destacou que, para justificar a mudança, o Ministério da Justiça apontou a presença de “atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito” no conteúdo das animações.
Em sua crítica, Vargens comparou a classificação dos desenhos bíblicos à de novelas da TV Globo, questionando o tratamento dado às produções.
“O interessante é que o Ministério da Justiça, em contrapartida, coloca os desenhos bíblicos no mesmo nível de novelas como Roque Santeiro ou Avenida Brasil, produzindo uma equivalência entre histórias bíblicas e a normatização do pecado presente nas novelas da Globo”, declarou.
“Perseguição religiosa”
A senadora eleita Bia Kicis também criticou a decisão do Ministério da Justiça, classificando a reclassificação dos desenhos bíblicos como uma forma de perseguição religiosa.
“Histórias bíblicas agora têm restrição de idade. Parece piada, mas é o governo”, afirmou.
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A parlamentar questionou a mudança na faixa etária e a recomendação de exibição a partir das 20h, considerando que o programa era transmitido durante a manhã.
“Eles eram livres para todas as idades e passavam de manhã. E o governo agora editou essa portaria para que seja para maiores de 12 anos e ainda orienta que passe apenas a partir das 20 horas, ou seja, oito horas da noite, depois que a criança já está se preparando para dormir.”
Para Bia Kicis, a medida representa uma ameaça à liberdade religiosa.
“Isso está muito claro do que se trata. É perseguição religiosa”, declarou.
A senadora eleita também anunciou que pretende apresentar um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) para tentar sustar os efeitos da portaria.
“Eu, como congressista, como parlamentar, vou entrar com um PDL, um projeto para sustar essa portaria, porque claramente ela é inconstitucional, porque ela fere a liberdade religiosa, mascarada em uma proteção à criança”, afirmou.
Bia Kicis ainda questionou os critérios utilizados pelo governo federal e pediu uma reação das igrejas e das famílias cristãs.
“Agora eu espero que as igrejas reajam. Eu espero que os pais reajam”, disse.
Ao final, a parlamentar defendeu o direito das famílias de transmitir os ensinamentos bíblicos às crianças desde os primeiros anos de vida.
“O Brasil é um país cristão e a Bíblia é contada para criança desde a mais tenra idade. Vamos lutar para a gente revogar, derrubar essa portaria que, a meu ver, é criminosa”, concluiu.
“Isso é só o começo”
O deputado federal eleito pelo Paraná, Guilherme Kilter (Novo), que é evangélico, também criticou a reclassificação indicativa dos desenhos bíblicos da Record e afirmou acreditar que medidas semelhantes poderão ocorrer nos próximos anos.
“Gente, vocês esperavam o quê? Um governo que se autodeclara comunista, que combate a família, que recebe homenagem em escola de samba, colocando os evangélicos em uma lata de conserva. Vocês sinceramente esperavam alguma coisa diferente?”, questionou.
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Kilter afirmou que a decisão do Ministério da Justiça seria apenas o início de uma série de medidas contra os cristãos.
“E eu aviso: vai piorar. Isso é só o começo, vai piorar e muito”, declarou.
O deputado eleito também questionou a transparência do processo de reclassificação, afirmando que tentou obter informações sobre os critérios utilizados pelo Ministério da Justiça.
Segundo Kilter, ele já encaminhou um pedido de esclarecimento ao órgão, mas demonstrou descrença quanto à possibilidade de obter uma resposta.
Ao final, o parlamentar alertou os cristãos sobre o que considera um possível agravamento das restrições religiosas no país.
“Prepare-se, porque vai piorar muito. Vai ter perseguição sim contra religiosos, contra padres, pastores”, afirmou.
Programação infantil noturna
A mudança consta da Portaria nº 2.272, de 28 de outubro de 2026, publicada no Diário Oficial da União (DOU) no dia 29. O programa Record Kids: Desenhos Bíblicos, antes considerado adequado para todas as idades, passou a ser classificado como não recomendado para menores de 12 anos.
Na justificativa, o Ministério da Justiça apontou a presença de “atos criminosos, drogas lícitas, violência e estigma ou preconceito” nas animações. A portaria, porém, não especifica quais cenas ou episódios motivaram a classificação.
Com a mudança, a recomendação de horário para exibição na televisão aberta passou a ser a partir das 20h. Atualmente, o programa é transmitido nas manhãs de domingo, das 9h às 10h30.
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