Neuralink é denunciada pela morte de 15 macacos após testes com chip cerebral

A startup foi acusada de maus tratos e sofrimento extremo dos animais durante experimentos.

Fonte: Guiame, com informações de Canaltech e TecmundoAtualizado: sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022 14:18
Macaco Pager, de 9 anos, ficou conhecido por jogar o clássico gamer Pong, em vídeo da Neuralink. (Foto: Captura de tela/YouTube Neuralink)
Macaco Pager, de 9 anos, ficou conhecido por jogar o clássico gamer Pong, em vídeo da Neuralink. (Foto: Captura de tela/YouTube Neuralink)

A empresa Neuralink, fundada pelo empreendedor bilionário Elon Musk, foi denunciada pela morte de 15 dos 23 macacos macacos Rhesus (Macaca mulatta) que participavam de uma pesquisa. 

Além das mortes, também há acusações de maus-tratos e sofrimento extremo, o que a empresa nega. Em resposta, a Neuralink informou que apenas 8 animais foram sacrificados e que a maioria foi por recomendação das equipes médicas veterinárias que acompanhavam o estudo.

A denúncia foi feita na semana passada, conforme informações do Canaltech, por uma organização que luta pelos direitos dos animais. 

“Na Neuralink, estamos absolutamente comprometidos em trabalhar com animais da maneira mais humana e ética possível”, defendeu a empresa após as denúncias do Comitê de Médicos para Medicina Responsável (PCRM). 

O objetivo de Elon Musk, porém, não é parar nos testes com animais e ele já anunciou, em 2022, que vai dar início aos testes com seres humanos. Até o momento, nenhuma agência de saúde autorizou o início dos estudos clínicos.

Como foram feitos os testes com macacos?

De acordo com a startup, as primeiras cirurgias do experimento com macacos foram realizadas em cadáveres ou como um procedimento terminal. “Os procedimentos terminais envolvem a eutanásia de um animal anestesiado na conclusão da cirurgia”, detalhou a empresa.

“Com isso, a cobaia não sofre no pós-operatório caso o procedimento de teste tenha um resultado inesperado. Essa etapa é necessária para aperfeiçoar os processos e a tecnologia”, explicou ainda. 

Na denúncia, porém, consta que alguns animais apresentavam partes amputadas, como dedos. A empresa se defendeu dizendo que os animais podem ter perdido dedos ao longo da vida devido a conflitos com outros macacos.

As etapas anteriores dos experimentos da Neuralink ocorreram dentro de uma universidade norte-americana. A partir de 2020, os estudos passaram a ser realizados dentro da própria empresa, onde foi construído um viveiro. 

Em abril de 2021, imagens e vídeos foram publicados mostrando que um chip da Neuralink fez um macaco jogar com o “poder da mente”. 

Sobre a denúncia contra a Neuralink

A denúncia se apoia em estudos da Universidade da Califórnia em Davis, que opera o centro federal de pesquisa de primatas nos EUA, que forneceu mais de 700 páginas de documentos com registros veterinários, laudos de necropsias por meio de pedidos de registros públicos à Universidade, que indicam como 23 macacos eram tratados na Neuralink entre 2017 e 2020.

As acusações envolvem 9 violações da Lei de Bem-Estar Animal, que determinam a redução da dor ao realizar testes, presença de um veterinário assistente para aconselhar o uso de anestesia para reduzir o sofrimento dos animais.

“Praticamente todos os macacos que tiveram implantes na cabeça sofreram efeitos bastante debilitantes em sua saúde. Eles estavam, francamente, mutilando e matando os animais", afirmou o diretor do grupo ativista, Jeremy Beckham.

Conforme o Tecmundo, como a denúncia ainda não foi formalizada, a Neuralink não se manifestou sobre o caso. Já a Universidade da Califórnia em Davis alega que seguiu todos os protocolos durante a pesquisa.

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