
Um pastor aposentado foi condenado e multado em 450 libras esterlinas (aproximadamente R$ 3 mil) após realizar uma pregação ao ar livre em uma área de “zona de acesso seguro” nas proximidades de um hospital que oferece serviços de aborto na Irlanda do Norte.
Clive Johnston, de 77 anos, conduziu um culto próximo ao Hospital Causeway, em Coleraine, no dia 7 de julho de 2024. Durante a reunião, ele pregou sobre João 3:16, versículo conhecido por destacar o amor de Deus pela humanidade.
O local fica às margens de uma “Zona de Proteção”, onde onde são proibidas manifestações pró-vida, orações e a abordagem de mulheres que pretendem abortar.
O ex-presidente da Associação de Igrejas Batistas na Irlanda foi julgado no Tribunal de Magistrados de Coleraine, onde a sentença foi anunciada nesta quinta-feira (07).
O tribunal considerou Johnston culpado por praticar um ato dentro da zona protegida “com a intenção de influenciar ou sendo imprudente quanto à possibilidade de influenciar uma pessoa protegida que estivesse frequentando as instalações”.
Ele também foi condenado por não obedecer a uma ordem para deixar a área.
‘Influenciar pessoas’
Segundo os promotores, embora o pastor não tenha mencionado diretamente o aborto durante a mensagem, o culto poderia influenciar pessoas que buscavam atendimento no hospital.
O tribunal foi informado de que pelo menos uma pessoa protegida estava presente na unidade naquele dia.
Ao anunciar a decisão, o juiz Peter King afirmou que Johnston “testou a lei a ponto de infringir a lei”.
A multa aplicada pelas duas infrações totalizou 450 libras.
O caso provocou repercussão entre grupos cristãos e defensores da liberdade religiosa, que afirmam que as chamadas “zonas de amortecimento” ao redor de clínicas e hospitais estão sendo usadas para restringir manifestações públicas de fé e a pregação do Evangelho.
Após a condenação, Johnston declarou que o encontro ocorreu de maneira pacífica e sem qualquer tentativa de intimidação.
“Realizamos um pequeno culto de domingo ao ar livre perto de um hospital. Não fizemos qualquer referência à questão do aborto. E, no entanto, a lei de zonas de amortecimento é tão ampla que a realização de um culto de domingo foi considerada uma ofensa criminal”, afirmou.
‘Nunca fui condenado’
O pastor também destacou que esta foi a primeira condenação criminal de sua vida.
“Aos 77 anos de idade, me vejo, pela primeira vez, condenado por um crime”, disse.
Johnston acrescentou que concorda com punições contra atos de violência, assédio ou intimidação, mas negou ter cometido qualquer uma dessas práticas.
“Se alguém está lá fora causando problemas, provocando violência, assediando ou atacando verbalmente as pessoas, então, absolutamente, processem essas pessoas. Mas eu não estava fazendo nenhuma dessas coisas”, declarou.
O pastor informou ainda que deve discutir com sua equipe jurídica a possibilidade de recorrer da decisão judicial.
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