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Desigualdade na educação 'é calcanhar de Aquiles do Brasil', diz jornal

Desigualdade na educação 'é calcanhar de Aquiles do Brasil', diz jornal

Atualizado: Quarta-feira, 8 Dezembro de 2010 as 11:23

Uma análise publicada nesta quarta-feira pelo jornal francês 'Le Monde' afirma que as desigualdades no sistema educacional são o 'calcanhar de Aquiles do Brasil'.

Intitulado 'As desigualdades da educação, calcanhar de Aquiles do Brasil', o artigo repercute o resultado de um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que coloca o nível educacional do Brasil no mesmo nível de Trinidad e Tobago.

'Elogiado por seus inúmeros progressos nos campos econômico e social, o Brasil permanece estagnado em uma área crucial: a educação', diz o texto.

A análise nota que o país conseguiu 'praticamente vencer' o analfabetismo entre os mais jovens, mas 'continua a castigar um em cada dez brasileiros de 15 a 17 anos'. 'Na prática, a escolarização não é universal.'

Para o jornal francês, 'o marasmo brasileiro é resultado em parte da democratização do ensino promovida nos anos 1990. O afluxo de milhões de novas crianças levou a uma queda no nível de ensino, acentuada pela rejeição a expulsar os piores estudantes das escolas'.

'A mediocridade do ensino público está no centro do problema', diz o texto, segundo o qual 'os professores são mal formados e mal pagos'. 'Muitos têm pouca bagagem escolar e experiência', afirma o 'Monde'.

Além disso, 'a estrutura federal do Brasil - em três escalões - agrava esses fenômenos' ao criar mais burocracia e abrir espaço para a corrupção no setor.

'Assim se perpetua, com algumas exceções, um ensino de base em dois níveis: público, gratuito, muitas vezes em estado de calamidade, para as crianças das famílias pobres; privado, pago, de bom nível, para os filhos das famílias abastadas, mais bem preparados para o vestibular e gozar do terceiro ciclo e dos centros de pesquisa financiados com dinheiro público', descreve o vespertino francês.

País ficou em 55º lugar em matemática e em 52º em ciências

O jornal avalia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ensaiou algumas ações, 'reais, embora tardias e insuficientes'. Exemplo disso é o orçamento da saúde, que 'tem crescido, mas permanece muito longe, em termos per capita, dos níveis do Chile ou a Argentina', lista o artigo.

'O Brasil tomou consciência do seu calcanhar de Aquiles diante de uma dupla urgência, econômica e social. De um lado, seu forte crescimento obriga à formação da mão-de-obra qualificada que lhe falta, sob pena de perder competitividade. De outro, uma classe média em plena ascensão reivindica seu direito ao conhecimento, chave de um futuro melhor', avalia o vespertino francês.

'Esta dupla necessidade deveria incitar a presidente eleita, Dilma Rousseff, a prolongar o ciclo virtuoso que mal começou a ser esboçado sob o governo de seu predecessor.'

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