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Acusado de massacre no Arizona pode ser condenado à morte

Acusado de massacre no Arizona pode ser condenado à morte

Atualizado: Terça-feira, 11 Janeiro de 2011 as 9:27

O indiciado pelo ataque que deixou seis mortos em Tucson, no Arizona, compareceu ao tribunal em Phoenix pela primeira vez nesta segunda-feira, em uma audiência que alimentou a hipótese de condenação à morte, já que as primeiras investigações apontam para um ataque cuidadosamente planejado.

Algemado e com a cabeça raspada, Jared Lee Loughner, de 22 anos, compareceu ao tribunal federal de Phoenix dois dias após irromper em um ato da deputada democrata Gabrielle Giffords em Tucson e abrir fogo contra 20 dos presentes. O tiroteio matou seis pessoas e feriu outras 14, entre elas Gabrielle, que segue hospitalizada em estado crítico mas estável depois de uma bala ter atravessado o seu cérebro.

O acusado, que ficou detido sem a possibilidade de fiança após a audiência, escutou e assentiu enquanto o juiz lia as cinco acusações e as possíveis sentenças, entre elas a de pena de morte pelas duas acusações de assassinato em primeiro grau.

Embora a acusação ainda não tenha anunciado a sentença que perseguirá para Loughner, os rumores indicando a pena capital ganharam força após os primeiros resultados da investigação, que mostram um jovem mentalmente instável que planejou metodicamente o assassinato da congressista.

Segundo o oficial de justiça do condado de Pima, Clarence Dupnik, o acusado "não está dizendo uma palavra". Apesar disso, a Polícia encontrou na casa dos pais de Loughner registros seus com as palavras "planejei com antecedência" e "meu assassinato", escritas junto ao nome "Giffords".

No mesmo cofre que continha o envelope, foi encontrada ainda uma carta que o escritório da legisladora enviou a Loughner em 2007 para agradecer por sua participação em um ato do "Congresso na sua esquina", a mesma iniciativa onde aconteceu o massacre de sábado.

No entanto, essas provas são insuficientes para determinar o que motivou o atentado contra Gabrielle, pelo que as autoridades se concentram agora em entrevistar as pessoas que o conheciam e analisar os sinais de instabilidade mental que ele mesmo deixou patentes na internet.

Os sinais mais evidentes são os vídeos que publicou em sua conta no YouTube e em seu extinto perfil no MySpace, nos quais demonstrava indignação com o nível de analfabetismo em seu condado, advogava pela criação de uma nova moeda americana e falava dos "métodos de lavagem cerebral" que o Governo empreendia no país através do controle da gramática.

Uma dessas estranhas alegações, na qual assegurava que sua universidade, a Pima College, podia ser "ilegal ou inconstitucional", levou à sua expulsão no ano passado, e existem rumores de que foi rejeitado pelo serviço militar por ter sido reprovado em um teste antidrogas.

Seu discurso exaltado levou alguns veículos da imprensa a ligá-lo a grupos extremistas como o "American Renaissance", que defende uma supremacia branca, mas o Departamento de Segurança Nacional negou nesta segunda-feira que existam provas desta conexão.

O Tea Party do estado do Arizona se apressou em confirmar que Loughner, registrado em 2006 como votante independente, não está filiado ao movimento ultraconservador, que tem retórica inflamatória similar à do acusado.

O debate sobre a relação entre a linguagem e a violência começou após veementes declarações de Dupnik, que descreveu o Arizona como "a Meca dos preconceitos e da intolerância", assegurando que no estado se vive em um "clima de ódio".

A este debate se somaram vozes pedindo a revisão das regulações que permitem a posse de armas, com o objetivo de repassar estritamente o histórico dos que solicitarem uma licença para impedir a compra por parte de pessoas instáveis.

"No Arizona, temos, provavelmente, o sistema mais liberal de venda de armas de todo os Estados Unidos", disse nesta segunda-feira à rede "CNN" a procuradora do condado de Pima, Barbara Lawall, que considerou "improvável" que o caso leva a uma mudança legislativa.

Por enquanto, a única hipótese que parece descartada no início das investigações é que Loughner tenha atuado com ajuda, depois que as autoridades negaram a conexão do motorista do táxi que o levou ao local com o ataque.    

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