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Brasil tentou aproximar Washington e Caracas

Brasil tentou aproximar Washington e Caracas

Atualizado: Terça-feira, 21 Dezembro de 2010 as 10:21

O governo brasileiro dispôs-se a mediar a aproximação entre EUA e Venezuela, segundo telegramas da Embaixada Americana em Brasília divulgados ontem pelo WikiLeaks. Em conversas com diplomatas e autoridades do governo americano, o assessor da presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, tentou convencer o atual subsecretário de Estado para América Latina, Arturo Valenzuela, a ir a Caracas conversar com o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

"Sem esse movimento, Garcia disse, Chávez responderá a qualquer um (a funcionários do governo americano de qualquer hierarquia). Ele não tem senso de proporção", diz o documento de 29 de dezembro de 2009.

O telegrama menciona que, três meses antes, Garcia quis que o general James Jones, então conselheiro de Segurança Nacional, fizesse a mesma visita. A aproximação foi defendida também pelo chanceler Celso Amorim, que teria citado as vantagens da relação. "Amorim sugeriu que um bom diálogo teria impacto na situação interna da Venezuela, já que boa parte da oposição a Chávez têm laços com os EUA", diz o telegrama.

Neste ano, quando assumiu o cargo de embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon afirmou a Garcia que os problemas na relação com Caracas eram "intratáveis" e as questões internas do país haviam empurrado Chávez para "o autoritarismo e a repressão".

Garcia culpou a falta de interlocutores pela crise. "Ele perguntou se os EUA estavam interessados no diálogo. Shannon disse que sim. Garcia ficou visivelmente intrigado, indicando que o Brasil poderia prestar assistência nessa área", diz um telegrama de 19 de fevereiro.

Oito meses antes da visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Teerã, em maio, Amorim afirmou ao general Jones que Brasil e Irã "não eram companheiros", mas que havia uma relação "pragmática" entre os dois países. Conforme telegrama de 4 de setembro, o chanceler comentou a "excelente" iniciativa dos EUA de dialogar com Teerã na área nuclear. O resultado foi um acordo, firmado em outubro de 2009, nunca honrado pelo Irã.

Sobre Cuba, Garcia teria dito que o país, com Raúl Castro, seguirá o caminho do Vietnã. O líder cubano foi descrito como "mais pragmático e menos ideológico" do que seu irmão, Fidel. Para Garcia, o investimento brasileiro no porto cubano de Mariel só terá sentido se o comércio com os EUA for retomado. "Se os EUA têm uma relação com o Vietnã, Garcia disse, não há razão para não terem relação com Cuba", diz o telegrama.    

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