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Campanha na Bolívia incentiva indígenas a fazer plástica no nariz

Campanha na Bolívia incentiva indígenas a fazer plástica no nariz

Atualizado: Quinta-feira, 12 Agosto de 2010 as 4:25

Uma campanha publicitária na Bolívia está incentivando pessoas com traços indígenas a fazer cirurgias plásticas para se livrar de "deformidades do nariz". Algumas cirurgias são subsidiadas pelo governo e chegam a ser feitas até sem custo para os pacientes.

Muitos descendentes de indígenas na Bolívia têm narizes grandes como traço característico da sua etnia, mas o atributo é considerado indesejado por alguns, que dizem sofrer com preconceito. Mas submeter-se à cirurgia, no entanto, seria desferir um golpe no "orgulho indígena" pregado pelo presidente boliviano, Evo Morales.

No ano passado, o próprio Morales passou por uma cirurgia no nariz para corrigir um problema respiratório, mas se recusou a alterar sua aparência, alegando que a plástica afetaria sua etnicidade.

Identidade indígena

Em vários países, cirurgias plásticas são um artigo caro, mas na Bolívia – um dos países mais pobres da América do Sul – a operação é muito barata. Algumas cirurgias para pessoas mais carentes chegam a ser totalmente subsidiadas.

As cirurgias são anunciadas em campanhas publicitárias ao redor Bolívia, com outdoors espalhados nas cidades e até mesmo com crianças distribuindo panfletos. O cirurgião boliviano Richard Herrera afirma já ter feito mais de 5 mil cirurgias do tipo, que estão se popularizando na Bolívia.

No seu consultório, o jovem Juan Carlos Calamar, de 19 anos, afirma que sofre descriminação, e por isso procurou o cirurgião. "Eu quero melhorar minha imagem. E também quero evitar a humilhação de ser caçoado por causa do meu nariz. É algo muito sério para mim", disse o jovem à BBC.

"As pessoas me discriminam muito. Eu ouço muitas pessoas dizendo: 'Lá vai o Nariz Grande'. Outros também sofrem com isso." Calamar diz que a cirurgia é feita apenas por causa dos comentários, mas não afeta sua identidade como indígena. "Só meu rosto mudará. Minhas raízes e minha cultura vão se manter iguais", afirma.

O cirurgião Richard Herrera, que também coordena algumas das campanhas publicitárias, defende o direito dos bolivianos de passar pelas operações. "Nós fizemos essas campanhas com o objetivo de alcançar as pessoas que não poderiam pagar normalmente por esse tipo de operação. Agora elas podem, e elas sentem que precisam mudar a sua imagem", afirmou Herrera à BBC.

Para o ex-ministro da Cultura da Bolívia e especialista em identidade indígena, Pablo Groux, as cirurgias plásticas como forma de mudar características étnicas são um fenômeno do mundo globalizado e há pouco que se possa fazer para combater isso. "Esse é um efeito do domínio do padrão de beleza ocidentalizado no mundo. Comunidades Aymara e Quéchua, que ficam nos centros urbanos, não são imunes a essas pressões."

Postado por: Thatiane de Souza

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