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'Chávez é 100% venezuelano', diz Carlos, o Chacal

'Chávez é 100% venezuelano', diz Carlos, o Chacal

Atualizado: Quarta-feira, 9 Novembro de 2011 as 12:13

O venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, o Chacal, afirmou nesta quarta-feira (9) que o presidente Hugo Chávez "é um venezuelano 100%", no terceiro dia de seu julgamento na França por quatro atentados nos anos 1980, que deixaram 11 mortos.

"O presidente Chávez é um venezuelano 100%. Tem as características naturais, a maneira de falar, de comer", declarou Carlos, ante o comentário do juiz Olivier Leurent sobre o apoio público do presidente venezuelano. "Nunca o vi pessoalmente. Nunca pensei que Chávez seria eleito e que os americanos iam deixar isso acontecer", acrescentou.

Na audiência estavam presentes o conselheiro da embaixada da Venezuela em Paris, Farid Fernández, e o encarregado consular, Valentín Angarita.

Ilich Ramirez Sanchez reivindicou, em uma entrevista publicada domingo por um jornal venezuelano, a autoria de mais de 100 ataques que mataram entre "1.500 e 2.000 pessoas".

Preso no Sudão em agosto de 1994, não saiu mais das prisões francesas. Carlos já foi condenado à prisão perpétua em 1997 pela morte de três homens, entre eles dois policiais, em 1975 na França .

O militante marxista e defensor da causa palestina é acusado de orquestrar quatro atentados com o objetivo de libertar sua companheira alemã Magdalena Kopp e o suíço Bruno Bréguet, dois membros do grupo, presos em fevereiro de 1982 com armas e explosivos.

Uma carta enviada ao ministro do Interior exigia a libertação "em um prazo de 30 dias", ultimato regado de "ameaças de guerra" contra a França. As impressões digitais de Carlos foram identificadas no documento, prova rejeitada pela defesa porque desapareceu do arquivo.

Um mês depois da carta, no dia 29 de março de 1982, uma explosão em um trem Paris-Toulouse matou 5 pessoas e deixou 28 feridos.

No dia 22 de abril, quando seria iniciado o julgamento de Kopp e Bréguet, um carro-bomba explodiu na frente da sede da revista Al Watan Al Arabi, na rua Marbeuf. O ataque matou um transeunte e deixou 66 feridos.

Os dois outros atentados do dia 31 de dezembro de 1983, um na estação de trem Saint-Charles em Marselha (2 mortos e 33 feridos) e o outro contra um TGV Marselha-Paris (3 mortos e 12 feridos) aconteceram quando os "dois camaradas" recebiam a condenação de quatro e cinco anos de prisão.

Três outros membros do grupo serão julgados a revelia: Johannes Weinrich, braço direito de Carlos, foi preso na Alemanha, mas Berlim se recusa a enviá-lo para a justiça francesa. Christa Frohlich está foragida na Alemanha, enquanto que o palestino Ali Kamal Al Issawi ainda é procurado.

O veredicto deve sair até 16 de dezembro.      

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