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Com ex-modelo e poucas novidades, premiê do Japão anuncia gabinete

Com ex-modelo e poucas novidades, premiê do Japão anuncia gabinete

Atualizado: Terça-feira, 8 Junho de 2010 as 8:36

O novo primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, formou nesta terça-feira (8) seu gabinete de governo com 17 ministros, dos quais 11 conservaram o cargo, anunciou seu porta-voz, Yoshito Sengoku.

O ministério de Finanças, dirigido anteriormente por Kan, foi confiado ao seu ex-adjunto, Yoshihiko Noda, de 52 anos.

Ele terá a complicada tarefa de revitalizar a economia e reduzir ao mesmo tempo a enorme dívida pública que alcança quase a dobro do Produto Interno Bruto (PIB).

O novo governo japonês inclui duas ministras, entre elas uma ex-modelo e ex-apresentadora, e seis caras novas.

As ministras são a responsável de Justiça, Keiko Chiba, que segue em seu posto, e uma nova incorporação à frente da Reforma Administrativa: a senadora Renho, ex-apresentadora e ex-modelo de ascendência taiuanesa.

Kan foi eleito primeiro -ministro na sexta-feira (4) pelo parlamento, mas preferiu esperar até esta terça para anunciar seu governo.

Kan prometeu nesta terça transformar o Japão num país mais vigoroso, restaurar as finanças públicas e conservar a aliança com os Estados Unidos como pedra angular de sua diplomacia.

O novo primeiro-ministro, de 63 anos, é o quinto chefe de governo que assume o cargo em quatro anos. Ele tem o apoio de mais de 60% da opinião pública, disposta a dar uma segunda chance ao Partido Democrata do Japão (PDJ), apesar da desastrosa expêriencia do governo de Yukio Hatoyama.

Este último, eleito em meados do ano passado frente aos conservadores, no poder há mais de 50 anos, não cumpriu com suas promessas, e em oito meses e meio acabou com a esperança que os japoneses tinham quanto a ele.

''Creio que é necessário continuar firmemente com o princípio de que a aliança de segurança Japão-Estados Unidos é a pedra angular da diplomacia japonesa'', afirmou Kan, depois de conversar por telefone no fim de semana com o presidente Barack Obama.

Em seu primeiro discurso depois do anúncio de seu gabinete, Kan disse que a bolha econômica japonesa explodiu há 20 anos e que o país deve lamentar cerca de 30 mil suicídios anuais. ''Quero reabilitar o Japão drasticamente e criar um país vigoroso'', enfatizou.

Num momento em que a dívida pública se aproxima do dobro do PIB, Kan destacou que ''reconstruir a saúde financeira é fundamental para a economia japonesa''.

O novo governo, que será empossado pelo Imperador Akihito, está integrado por 17 ministros e secretários de Estado, 11 dos quais conservam a pasta que tinham no gabinete anterior.

Os titulares dos principais ministérios foram confirmados nesses postos: Katsuya Okada nas Relações Exteriores, Toshimi Kitazawa na Defesa e Seiji Maehara nos Transportes.

O ministério-chave das Finanças, que Kan dirigia no governo anterior, foi confiando a seu ex-adjunto, Yoshihiko Noda, de 52 anos, partidário do rigor orçamentário.

Sua tarefa consistirá em revitalizar a economia e reduzir simultaneamente a enorme dívida pública que é quase o dobro do PIB. Não se exclui um aumento do imposto ao consumidor, atualmente em 5%.

No nível diplomático, Kan deverá reconciliar-se com os Estados Unidos, o principal aliado do Japão, depois do fracasso da mudança da base militar da ilha de Okinawa.

O governo anterior prometeu retirar uma base aérea americana dessa filha, mas Washington insistiu que Tóquio respeitasse um acordo sobre sua manutenção assinado em 2006 entre os dois aliados.

Um assessor de Obama disse que confia que as relações com Kan serão melhores do que com seu predecessor.

''Tenho todos os motivos para pensar que Kan retomará (o diálogo) no ponto em que o deixamos e que não voltaremos a viver os momentos difíceis que atravessamos em setembro e outubro'', declarou Jeff Bader, encarregado pela Ásia no Conselho de Segurança Nacional.

O novo primeiro-ministro declarou que aplicará todas as decisões adotadas pelo governo anterior nessa questão.

Naoto Kan, um ex-militante de esquerda, procedente de uma família modesta, contrariamente aos ''herdeiros'' das dinastias políticas que o precederam, sabe que o apoio da opinião pública pode desaparecer rapidamente se não der sinais de uma verdadeira mudança.

O primeiro teste para o governo e o PDJ, majoritário, terá lugar durante as eleições para o Senado, em julho próximo.

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