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Com liderança dividida, palestinos esperam discurso 'histórico' na ONU

Com liderança dividida, palestinos esperam discurso 'histórico' na ONU

Atualizado: Sexta-feira, 23 Setembro de 2011 as 9:29

Ramallah, na Cisjordânia, já está preparada para acompanhar o discurso em que o presidente Mahmoud Abbas deverá pedir o reconhecimento do Estado Palestino, durante a Assembleia Geral da ONU , nesta sexta-feira (23).

A Autoridade Palestina já colocou telões no centro de Ramallah para que o público possa assistir, ao vivo, o discurso de Abbas (às 18h30 locais, 12h30 em Brasília).

Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental - territórios ocupados por Israel , que rechaça veementemente a decisão palestina.

Uma cadeira gigante foi montada, para simbolizar assento pedido por Abbas na ONU, para que o Estado Palestino se torne o membro número 194 da organização internacional.

A campanha 'Palestina 194' foi iniciada há vários meses e deverá atingir seu auge nesta sexta-feira, com o discurso do presidente palestino.

A Autoridade Palestina espera a participação de centenas de milhares de pessoas em manifestações de apoio a Abbas, nas principais cidades da Cisjordânia, durante o discurso.

Para muitos palestinos esta sexta feira é um dia histórico, pois 44 anos após a guerra de 1967 e 63 anos após a fundação do Estado de Israel, um presidente palestino se dirigirá aos 193 países membros da ONU e pedirá o reconhecimento da Palestina.

Hamas

O Hamas, grupo que controla a Faixa de Gaza desde 2007, proibiu a manifestações em favor da iniciativa palestina no território.

O Hamas já declarou que é contra o pedido de reconhecimento pois, segundo o grupo, um Estado Palestino nas fronteiras pré-1967 significaria aceitar implicitamente o Estado de Israel na área estabelecida em 1948.

Apesar de pedidos por parte do Fatah, partido de Abbas, o Hamas não permite que a parte da população da Faixa de Gaza que apoia a iniciativa se manifeste nas ruas.

De acordo com a pesquisa de opinião realizada pelo instituto Halil Shkaki, 83% dos palestinos apóiam o pedido de reconhecimento na ONU, o que significa que entre os habitantes da Faixa de Gaza grande parte é a favor de um Estado Palestino nas fronteiras de 1967, apesar da oposição do Hamas.

Israel

As autoridades israelenses decretaram estado de alerta no país inteiro e nos territórios ocupados, principalmente na área de Jerusalém e nos pontos de checagem militares nas passagens entre Israel e a Cisjordânia.

O Exército israelense se prepara para manifestações de palestinos junto aos pontos de checagem e providenciou diversos tipos de armamentos não letais para dispersar os manifestantes.

No arsenal estão novas invenções da indústria bélica israelense denominadas 'gambá' e 'o grito'.

O 'gambá' consiste em uma substância quimica com forte cheiro de cadáveres em estado adiantado de putrefação. A substância é misturada com água e lançada contra manifestantes por meio de canhões d'água.

A pele e as roupas das pessoas atingidas ficam impregnadas com o cheiro, que demora vários dias para se dissipar. Outra nova arma não letal é 'o grito' - um aparelho que emite ondas sonoras que produzem sons insuportáveis para os ouvidos humanos e faz com que as pessoas queiram se distanciar rapidamente da fonte do barulho.

O 'grito' já foi utilizado contra manifestantes na última quarta feira, quando jovens palestinos protestaram junto ao ponto de checagem de Kalandia, na entrada de Ramallah. De acordo com porta-vozes militares o armamento 'produziu bons resultados', pois os manifestantes se dispersaram rapidamente.

Alem das novas armas, o Exército israelense também costuma utilizar meios 'mais tradicionais' para dispersar manifestações, como balas de metal revestidas de borracha, gas lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

O governo de Israel autorizou a entrega de grandes quantidades desses armamentos para a policia palestina. De acordo com o jornal Haaretz, a polícia da Autoridade Palestina teria se comprometido a impedir que os manifestantes entrem em atrito com tropas ou colonos israelenses.        

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