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Confrontos recomeçam no Egito, e oposição nega início de negociação

Confrontos recomeçam no Egito, e oposição nega início de negociação

Atualizado: Quinta-feira, 3 Fevereiro de 2011 as 10:12

Os confrontos entre manifestantes favoráveis e contrários ao presidente Hosni Mubarak voltaram a se intensificar nesta quinta-feira (3) no Cairo, capital do Egito, segundo testemunhas.

Os dois grupos voltaram a jogar pedras um no outro, em uma rua próxima à Praça Tahrir, foco dos protestos dos últimos dez dias.

A oposição negou a versão da TV estatal de que um diálogo político  havia sido iniciado. Os oposicionistas insistem em que só vão negociar depois que Mubarak, há 30 anos no poder, deixar o cargo.

"Nossa decisão é clara: não haverá negociações com o governo antes que Mubarak saia. Depois disto, estaremos prontos para dialogar com (o vice-presidente, Omar) Suleiman", declarou Mohammed Abul Ghar, porta-voz da Coalizão Nacional pela Mudança.

A TV também informou que a violência que toma a capital desde a véspera será investigada.     Os confrontos recomeçaram apesar de o Exército ter criado uma "zona neutra", de cerca de 80 metros, próximo à praça, para tentar isolar os grupos rivais. Os favoráveis ao governo chegaram a invadir a área isolada, mas tanques os forçaram a retroceder.

O Ministro da Saúde disse na TV estatal que cinco pessoas morreram desde a véspera vítimas da violência na praça, centro dos protestos pela queda do regime de 30 anos. Foram levadas aos hospitais 836 pessoas, das quais 86 continuavam internadas,disse Ahmed Samih Farid.

Desde o início dos protestos, que já duram dez dias, pelo menos 100 pessoas morreram, mas, segundo a ONU, esse número pode chegar a 300. Não há cifras oficiais, e os números são frequentemente contraditórios.     No início da noite de quarta, o vice Suleiman reforçou o pedido do Exército para que a população obedecesse ao toque de recolher e voltasse para a casa.

Mas, durante a madrugada, tiros esporádicos foram ouvidos no centro do Cairo.

Eles pareciam vir da Ponte de Outubro, onde permaneciam posicionados os partidários de Mubarak.

Os manifestantes também colocaram fogo em diversos pontos da praça, usando bombas incendiárias.

De acordo com a TV Al Jazeera, o número de feridos teria passado de 1.500.

Os antigovernistas afirmaram na quinta que detiveram e identificaram 120 manifestantes pró-Mubarak, e que eles seriam, em sua maioria, ligados às forças de segurança e ao partido governista. Na véspera, o Ministério do Interior havia negado que o governo tenha instigado os protestos.    

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