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Cúpula da União Europeia pede renúncia imediata de Kadhafi na Líbia

Cúpula da União Europeia pede renúncia imediata de Kadhafi na Líbia

Atualizado: Sexta-feira, 11 Março de 2011 as 2:43

Os líderes dos 27 países da União Europeia pediram nesta sexta-feira (11) que o ditador da Líbia, Muammar Kadhafi, renuncie "sem demora", segundo nota divulgada ao final de reunião de cúpula em Bruxelas. A cúpula também condenou a violência na repressão aos protestos no país, segundo seu presidente, Herman Van Rompuy. Eles também se comprometeram a ajudar o povo líbio como for possível.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que os países europeus aceitaram o Congresso Nacional Líbio como um "interlocutor político" válido. Ele também anunciou que deve ocorrer uma reunião de cúpula entre União Europeia, União Africana e Liga Árabe nas próximas semanas.

Sarkozy pediu a criação no norte da África de zonas de acolhida dos refugiados do conflito líbio, já que mais de 250 mil já fugiram para a Tunísia e o Egito desde o início da rebelião contra Kadhafi em meados e fevereiro, segundo dados da ONU. Há pouca informação sobre a situação humanitária em áreas da Líbia controlada pelas forças de Kadhafi, como a capital, Trípoli, mas o porta-voz disse que três quartos do país permanecem isolados de assistência.     Já a chanceler alemã, Angela Merkel, mostrou-se  "fundamentalmente cética" sobre uma intervenção militar na Líbia neste momento, lembrando que a situação no país norte-africano evolui a cada dia.

Mais ataques

Tropas leais ao ditador Kadhafi estavam lutando para retomar o controle do porto petrolífero de Ras Lanuf nesta sexta-feira, intensificando a contraofensiva contra os insurgentes, que estão em desvantagem militar.

As forças do governo, com uma superioridade aérea e uma grande vantagem nos tanques, parecem ter retomado suas energias no conflito que já dura três semanas. Nesse ritmo, a pressão do governo líbio poderia superar os lentos esforços internacionais para impedir Kadhafi.     O som de explosões e armas de pequeno porte foi ouvido de Ras Lanuf nesta sexta-feira, enquanto fumaça emergia da cidade. Forças rebeldes disseram que ainda estavam dentro da área residencial da cidade petrolífera, e combatendo tanques de guerra do governo, além de tropas que chegaram de barco.

'Quatro barcos transportando 40 e 50 homens cada chegaram aqui. Estamos combatendo eles agora', disse um porta-voz rebelde Mohammed al-Mughrabi, sem dizer exatamente onde ele estava localizado.

O combatente rebelde Ibrahim al-Alwani disse que ele e seus colegas ainda estavam em Ras Lanuf e tinham visto tropas do governo no centro da cidade. 'Eu vi talvez 150 homens em três tanques', disse. 'Eu posso ouvir os confrontos.' Os insurgentes estavam indignados com a falta de ação internacional. 'Onde está o Ocidente? Como estão ajudando? O que estão fazendo?' gritava um combatente enfurecido.

Kadhafi ameaça

O ditador Kadhafi ameaçou nesta sexta-feira a União Europeia (UE) que pode deixar de apoiar a luta antiterrorista internaconal e também a luta contra a imigração clandestina, informou a agência oficial Jana.

"Se a Europa não apoiar e ignorar o papel ativo da Líbia na luta contra a imigração e como país que garante a estabilidade no norte da África e toda a África, a Líbia será obrigada... a parar com seus esforços na batalha contra o terrorismo e mudar sua postura em relação à al-Qaeda", afirma a mensagem de Kadhafi.

Kadhafi repetidamente acusa a rede al-Qaeda de estar por trás da rebelião em seu país e que diz que a Líbia é capaz de derrotar os terroristas que pretendem transformá-la numa Somália.

A mensagem foi dirigida aos líderes dos países europeus reunidos em Bruxelas nesta sexta-feira para avaliar que medidas serão tomadas contra o governo Kadhafi.

ONU

Um emissário da ONU viajará a Trípoli na próxima semana para expressar a preocupação internacional pela repressão contra opositores do governo Kadhafi, anunciou nesta sexta-feira o secretário-geral, Ban Ki-moon.

O ex-ministro das Relações Exteriores jordaniano, Abdul Ilah Khatib, será o mensageiro das "preocupações das Nações Unidas e da comunidade internacional", afirmou Ban.    

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