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Em meio a conflitos, presidente do Iêmen pede diálogo com oposição

Em meio a conflitos, presidente do Iêmen pede diálogo com oposição

Atualizado: Terça-feira, 5 Abril de 2011 as 2:19

O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh,  apelou para que a oposição participe de discussões para tentar encerrar uma crise política que se arrasta há semanas e pediu o fim da violência, enquanto novos confrontos irromperam no país, com ao menos três mortes.

O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) convidou o governo iemenita e representantes da oposição para conversações na Arábia Saudita, em data ainda a ser determinada, com os EUA pressionando Saleh a negociar com seus opositores. Saleh, que ignorou um plano de transição do poder proposto pela oposição no sábado, aceitou o convite dos Estados do Golfo árabe e exortou a oposição a fazer o mesmo.

"Prometo que faremos todos os esforços possíveis para retornar à normalidade, por meio de conversações com pessoas racionais do Partido Conjunto de Reuniões (a principal coalizão oposicionista do Iêmen)", disse ele a partidários em sua cidade natal, Sanhan.

A iniciativa do CCG pode não satisfazer dezenas de milhares de manifestantes que estão acampados em cidades do país há semanas, reivindicando o fim dos 32 anos de governo de Saleh.

O Partido Conjunto de Reuniões respondeu sem se comprometer.

"Saudamos a posição do CCG de respeitar as escolhas do povo iemenita e também saudaremos quaisquer esforços feitos em prol da saída pronta do presidente Saleh", disse o porta-voz da coalizão, Mohammed al-Sabri. Ele não disse se a oposição participará das discussões protestas.

A frustração dos manifestantes vem crescendo depois da paralisação das negociações iniciais e devido à escalada da violência nos protestos. Muitos manifestantes expressaram ceticismo quanto às discussões propostas pelo CCG.

"A iniciativa chegou tarde demais, é inútil. Não passa de uma tentativa de salvar o regime, que sabe muito bem que precisa partir", disse Abdulsitar Mohammed, ativista jovem em Sanaa.

Três pessoas morreram e 15 ficaram feridas na capital na terça-feira, quando partidários de Saleh entraram em choque com manifestantes, disse o Ministério da Defesa. Um dia antes, forças de segurança e homens armados à paisana dispararam contra manifestantes em Taiz, ao sul de Sanaa, e no porto de Hudaida, no Mar Vermelho, matando 21 pessoas.

Na segunda-feira representantes dos EUA disseram que Washington está aumentando a pressão sobre Saleh para que busque um plano para a transição do poder.

'Está parecendo mais e mais que ele precisa renunciar,' disse um funcionário dos EUA, acrescentando que os EUA estão tentando aumentar as pressões sobre Saleh para buscar um entendimento com a oposição.

Os EUA há anos vêem Saleh como aliado crucial em sua luta contra a rede terrorista da al-Qaeda. Saleh autorizou ataques contra campos suspeitos e prometeu combater a militância, em troca de bilhões de dólares em ajuda militar.

No fim de semana, apesar de ter aventado a possibilidade de renunciar, Saleh mostrou-se cada vez mais desafiador, dizendo que defenderá o Iêmen com 'sangue e alma.'      

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